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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ser Humano (I)

Há quem olhe para trás no tempo e pense que os seres humanos há centenas de milhares de anos, sem toda a nossa tecnologia, pura e simplesmente não seriam capazes de construir as pirâmides ou de erguer as pedras de Stonehendge. Há quem decida que existe uma conspiração e que nenhum ser humano alguma vez foi à lua e dedique o seu tempo a procurar confirmar essa hipótese. Há quem prefira invocar divindades ou extraterrestres ou misturas para explicar coisas que parecem ser demasiado incríveis para seres humanos.

Eu prefiro, até porque as outras explicações alternativas não me convencem, acreditar nas capacidades dos seres humanos. Acreditar na nossa capacidade de nos superarmos. Acreditar que temos capacidade para fazer as coisas mais incríveis. Desde construir pirâmides a colocar seres humanos na Lua, futuramente levar seres humanos a Marte ou desenvolver tecnologias que parecerão magia mesmo aos olhos de alguém que conheça tecnologias de ponta de hoje em dia.

Isto não significa acreditar que somos intrinsecamente bons ou maus. Não significa acreditar que não vamos usar este poder para nos destruir. Não significa acreditar na nossa perfeição. Significa apenas acreditar que a nossa potencialidade nos poderá espantar. Que somos capazes de coisas que à primeira vista pareceriam impossíveis. E que já éramos assim há centenas de milhares de anos atrás, por mais incrível que isso possa parecer. 

domingo, 15 de abril de 2012

Em constante transição (I)

Cada ser humano está em permanente transformação ao longo de toda a sua vida. As nossas células vão-se substituindo e nós vamos mudando, afectados que somos pelas nossas experiências. Uma pessoa não é um ente estático. É um ente em constante transição.

E se é um ente em constante transição, até que ponto é que decisões tomadas no passado devem vincular um determinado indivíduo no futuro? Até que ponto é que o «eu» passado tem legitimidade para vincular o «eu» futuro de forma atendível pela sociedade em geral? 

Até que ponto é que o «eu» futuro tem legitimidade para se desvincular de promessas feitas pelo «eu» passado? Até que ponto as nossas transformações internas, e não apenas circunstâncias externas, devem ser tomadas em consideração nas relações que mantemos com os outros?

Aliás, até que ponto é que se pode falar de um só «eu» ao longo do tempo? 

Para responder a estas questões, é preciso não esquecer que também os outros são entes em constante transição e que também as suas expectativas devem ser tuteladas. É preciso ter em consideração o impacto na sociedade em geral da norma. É preciso ter em atenção que as pessoas vão revelando as suas preferências nas suas acções e na forma como auto-regulam o seu comportamento. É preciso ter em atenção que objectivos se pretende atingir.

Mas ficam as perguntas. E as respostas vão sendo dadas, um pouco por todo o lado, à nossa volta. Sempre e em constante transição.

domingo, 8 de abril de 2012

O Ser Humano e a Natureza

Os seres humanos são tão naturais como todos os outros animais, todas as plantas, todas as bactérias, todos minerais que existem no universo. A consciência que temos de nós mesmos, a nossa razão, as nossas emoções, todas as nossas acções são naturais. Os arranha-céus que construímos são tão naturais como os ninhos construídos por andorinhas ou que túneis escavados por toupeiras.

Os seres humanos não são, em absoluto, o centro do universo, que por sua vez não gira à nossa volta, nem foi criado especificamente para nós. O universo simplesmente existe e nós somos parte dele. O que fazemos com a nossa existência é connosco. O sentido da vida é connosco. Cada um de nós tem de definir o seu, da forma que lhe aprouver. E cada um de nós é tão natural como o outro ao lado.

Os seres humanos não são, então, superiores à natureza. Nem o são as normas que regulam o seu comportamento, quaisquer que elas sejam. Não há comunidades humanas organizadas de forma mais natural que outras. Todas elas se organizam de forma natural. A forma como se organizam pode ser mais ou menos congruente com aquilo que um determinado sujeito considera como a forma ideal de organizar uma comunidade, ou com os valores que defende. Mas isso não torna essa organização menos natural

Um comportamento desviante em relação à norma não é menos natural que um comportamento mais de acordo com a norma. Não existem sistemas morais ou jurídicos mais naturais que outros, mas sim sistemas morais ou jurídicos mais ou menos congruentes com os sistemas morais ideais preferidos por cada um de nós. E as razões que nos levam um ou outro sistema como preferível são todas igualmente naturais.

Certos jusnaturalistas proclamam que as suas posições são as mais congruentes com a «natureza humana». Primeiro, seriam no limite mais congruentes com a noção dada pelos referidos jusnaturalistas ao conceito de «natureza humana». Segundo, o conceito de «natureza humana» acaba por representar simplesmente um conjunto de valores que os referidos jusnaturalistas consideram dignos de defesa, conjunto esse tão natural como todos os outros conjuntos de preferências possíveis. Sob o manto da «naturalidade», que se pretende objectiva, esconde-se a subjectividade intrínseca a todas estas escolhas.