Parece que o Ministro da Defesa anunciou um reforço de 4000 militares. Porque o Governo quer renovar as Forças Armadas enquanto poupa em desperdícios e gorduras, ao mesmo tempo que dota as nossas forças armadas, supostamente, de maior capacidade operacional.
Esta notícia surge no contexto de contestações que associações de militares têm feito ao Ministro e parece-me que esta parece ser uma resposta do Ministro às críticas que lhe estão a ser feitas.
Pessoalmente, a meu ver, as nossas Forças Armadas são um custo com o qual podíamos bem não viver. Penso que devíamos ter Forças Armadas europeias. Com isto, pouparíamos dinheiro e teríamos Forças Armadas que teriam, muito provavelmente, capacidade operacional a sério.
Contratar 4000 militares nestes tempos de corte e de austeridade é, de qualquer forma, um erro, assumindo que o Governo vai mesmo fazer o que a notícia diz. É um erro porque o dinheiro gasto nestas contratações seria mais bem gasto em praticamente quase tudo o que se possa pensar.
E não basta falar de «gorduras e desperdícios». Isso é conversa vazia de conteúdo. Mesmo não se avançando para Forças Armadas federais, e sendo preciso um plano de redução de custos para as Forças Armadas (se existe, desconheço-o, mas duvido que exista), a solução europeia continua em cima da mesa.
O Reino Unido e a França cooperam activamente na área nuclear e com isso poupam imenso dinheiro. Não poderíamos nós cooperar com Espanha ou com outros países com o mesmo desígnio? No quadro da União Europeia, isto não é apenas possível, é também desejável do ponto de vista do estreitamento de relações entre os Estados Membros numa área tradicionalmente vista como um dos epicentros da soberania.
Em vez de anunciar este tipo de medidas naquilo que parece uma resposta a uma carta de uma associação militar (curioso conceito que coloca em causa as hierarquias, mas enfim), acompanhadas de conversas sobre gorduras e desperdícios, o Ministro da Defesa serviria melhor o país se fizesse um plano de contenção de custos a sério para as Forças Armadas. Será isso pedir muito do Ministro?
Esperemos para ver. (Sentados, naturalmente.)
"Deve haver um dia em que a sociedade, como os indivíduos, chegue à maioridade." - Alexandre Herculano
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
4000 militares
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Federalismo e Defesa
Os EUA estão com problemas orçamentais, e isso tem implicado uma procura de sítios onde cortar. Ora, uma área onde poderão cortar é a área da Defesa, e, dentro dela, a área onde mais facilmente o farão será em despesas relacionadas com a NATO. Principalmente por verem os Europeus a serem protegidos pela NATO, mas sem verdadeiramente contribuírem para esta.
Acontece que, de facto, na Europa, há relutância em gastar dinheiro com as Forças Armadas, relutância essa que eu partilho. Além disso, o dinheiro gasto em Forças Armadas é gasto de forma ineficiente, em 27 forças armadas separadas que, precisamente por estarem separadas, não têm grande capacidade de projecção de força. Isto para não falar da falta de visão estratégica na UE no que toca a política de Defesa.
Num contexto de globalização, e de problemas orçamentais, no entanto, já há passos no sentido de maior cooperação (veja-se o caso do Reino Unido e da França no que toca a armas nucleares), e o próprio Tratado de Lisboa prevê mecanismos de cooperação na área de Defesa. No limite, eu gostava de ver uma força armada europeia federal (e também uma política externa europeia integrada). Enquanto isso não acontecer (e não é fácil isto acontecer), devemos apostar na cooperação.
Afinal de contas, para que é que os 27 Estados Membros querem uma força armada nacional que, ainda por cima, não é propriamente muito capaz, no contexto actual? Não se vão invadir uns aos outros, nem vão invadir países fora da União. Não se vão defender uns dos outros. E para se defenderem do exterior, uma força armada europeia é melhor do que 27 forças armadas nacionais. (Não defendo, além disso, que devamos ignorar a NATO - a UE federal seria parte da NATO, e a força armada europeia contribuiria para a NATO.)
Um dos objectivos fundamentais da UE é conseguir paz duradoura na Europa. Maior cooperação ao nível das forças armadas, precisamente os instrumentos utilizados para fazer a guerra, seria um passo importante nesse sentido. E ajudaria também no que toca a questões orçamentais, como vantagem extra.
Sei que não é uma visão maioritária, e que o apelo da «soberania nacional» ainda se faz sentir. Mas nestes tempos que correm, os europeus vão ter de fazer escolhas no que toca ao financiamento da sua Defesa, num contexto de problemas orçamentais e dos EUA já se encontrarem renitentes a continuar a financiar, essencialmente, a defesa europeia.
É uma escolha que devemos fazer de olhos abertos. E devemos olhar para todas as alternativas possíveis.
Acontece que, de facto, na Europa, há relutância em gastar dinheiro com as Forças Armadas, relutância essa que eu partilho. Além disso, o dinheiro gasto em Forças Armadas é gasto de forma ineficiente, em 27 forças armadas separadas que, precisamente por estarem separadas, não têm grande capacidade de projecção de força. Isto para não falar da falta de visão estratégica na UE no que toca a política de Defesa.
Num contexto de globalização, e de problemas orçamentais, no entanto, já há passos no sentido de maior cooperação (veja-se o caso do Reino Unido e da França no que toca a armas nucleares), e o próprio Tratado de Lisboa prevê mecanismos de cooperação na área de Defesa. No limite, eu gostava de ver uma força armada europeia federal (e também uma política externa europeia integrada). Enquanto isso não acontecer (e não é fácil isto acontecer), devemos apostar na cooperação.
Afinal de contas, para que é que os 27 Estados Membros querem uma força armada nacional que, ainda por cima, não é propriamente muito capaz, no contexto actual? Não se vão invadir uns aos outros, nem vão invadir países fora da União. Não se vão defender uns dos outros. E para se defenderem do exterior, uma força armada europeia é melhor do que 27 forças armadas nacionais. (Não defendo, além disso, que devamos ignorar a NATO - a UE federal seria parte da NATO, e a força armada europeia contribuiria para a NATO.)
Um dos objectivos fundamentais da UE é conseguir paz duradoura na Europa. Maior cooperação ao nível das forças armadas, precisamente os instrumentos utilizados para fazer a guerra, seria um passo importante nesse sentido. E ajudaria também no que toca a questões orçamentais, como vantagem extra.
Sei que não é uma visão maioritária, e que o apelo da «soberania nacional» ainda se faz sentir. Mas nestes tempos que correm, os europeus vão ter de fazer escolhas no que toca ao financiamento da sua Defesa, num contexto de problemas orçamentais e dos EUA já se encontrarem renitentes a continuar a financiar, essencialmente, a defesa europeia.
É uma escolha que devemos fazer de olhos abertos. E devemos olhar para todas as alternativas possíveis.
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