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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eu não quero o D. Sebastião

Há quem acredite em salvadores da pátria. Há quem deseje ardentemente e espere por um homem ou uma mulher providencial que, dotado ou dotada de uma panóplia infindável de virtudes, resolva todos os nossos problemas de uma só vez. Alguém que ponha tudo na ordem, que pense por todos, que não cometa erros e que esteja coberto de autoridade.

Eu não acredito na segunda vinda do D. Sebastião. O que menos quero é um Salazar em cada esquina. Não quero candidatos a Sidónio. Quero um sistema descentralizado, de pendor federalista, em que todos sejam chamados a intervir na coisa pública, sem apostas cegas em supostas entidades omniscientes e absolutamente clarividentes - porque essas pessoas não existem, dado que ninguém é perfeito e dado que, em princípio, quem está na melhor posição para decidir para si é cada um de nós, e não uma suposta autoridade terceira.

Eu quero um sistema virado para corrigir erros, em que haja debates intensos sobre os temas, em que seja possível a todos dar opinião. Um sistema em que as liberdades de cada um de nós sejam respeitadas, em que as maiorias não destroem as minorias. Um sistema pacífico de tomada de decisão ao nível da comunidade que tenha em conta a existência de externalidades, e portanto envolva, na medida do possível, todos os cidadãos que queiram participar activamente no processo de tomada de decisão.

Estar à espera do D. Sebastião, quer venha ou não, é não resolver problemas e fugir às nossas responsabilidades na sua resolução. Nas manhãs de nevoeiro que vivemos, temos de ser nós a conseguir as luzes de nevoeiro. Ninguém o fará por nós. E nem é muito desejável que fizesse.