Não há acordo, como era expectável.
De qualquer forma, o PS podia ter poupado o país a uma semana de negociações e ter dito expressamente que não aceitava negociar.
A leitura do seu documento de 'salvação nacional' mostra como não existiu qualquer tentativa de aproximar posições com PSD e CDS. Inclui uma secção de três parágrafos sobre reforma do Estado, inclui uma secção maior sobre 'governabilidade' em que se fala do facto do PS querer uma maioria absoluta e da importância teórica do compromisso - que o PS diz praticar mas tornou claro que não pratica.
Por outro lado, todo o documento do PS ignora, por completo, a existência da 'troika'. Continua com a noção mirífica de que Portugal vai impor condições à 'troika' para continuar tudo na mesma, aliás provavelmente voltando atrás com cortes na despesa que já foram feitos. Isto num momento em que o que está em causa é precisamente cortes na despesa e reforma do Estado.
Como disse, o PS podia ter poupado o país a uma semana de 'negociações' em que aquilo que ficou claro foi o seu desinteresse em participar em negociações com a 'troika' e depois sujeitar-se aos resultados das negociações. Isto é um dado importante. Deviam perguntar claramente a António José Seguro qual a razão pela qual o PS não se presta a participar nas reuniões com a 'troika' desde já, apresentando todas as suas 'soluções', que diz que conseguiria impor se fosse Governo.
Por outro lado, é significativo que o PS nem se tenha dignado a responder positivamente a uma carta em que o PSD pediu que elencasse aquilo em que considerava poder haver acordo, tal como é significativo que o PS tenha exigido que só houvesse acordo se houvesse acordo em relação a tudo. Tal como é relevante que o PS tenha apresentado cópias de passagens do seu 'Documento de Coimbra'.
Mas mais: olhando para o documento do PS, mal se entende que não tenha negociado com BE e PCP. O BE convidou-o a negociar, o PS recusou e, muito ironicamente, acusou o BE de fazer 'jogos partidários'. Da mesma forma que foi com fina ironia que acusou PSD e CDS-PP de terem culpa do fim, sem sucesso, de negociações para as quais partiu sem qualquer interesse em ceder.
Quanto ao PSD, queria acordos relativamente a memorando com a 'troika' e orçamentos até 2014, numa perspectiva de estabilidade. Claro que o PS não quis assumir o ónus das medidas que iriam ser tomadas, nem quis assumir o ónus de negociar com a 'troika'. Porque aí iria demonstrar o enorme 'bluff' que é o seu Documento de Coimbra, e que o que podemos esperar de António José Seguro é que se transforme numa versão ainda menor do pequeno François Hollande, Presidente francês de quem António José Seguro é fã, e cuja popularidade e sucesso em França tem sido extremamente reduzido.
De qualquer forma, o ponto fundamental foi este: a crise não ficou resolvida, o Governo saiu fragilizado (embora, na minha opinião, e contra-corrente possivelmente, penso que o Primeiro Ministro tem conseguido gerir a crise o melhor possível) e agora não sabemos exactamente o que vai acontecer a seguir. Vamos ter de esperar pela próxima comunicação do Presidente da República, que devia ter sido hoje, mas que vai ter lugar amanhã.
Nessa intervenção, o Presidente da República devia aceitar, agora, a remodelação governamental proposta pelo Governo, com atraso inútil por si causado e por António José Seguro rematado. Existe maioria parlamentar, como se viu na moção de censura do PEV, e essa maioria parlamentar deve continuar a existir.
"Deve haver um dia em que a sociedade, como os indivíduos, chegue à maioridade." - Alexandre Herculano
sábado, 20 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
Compromisso pós-troika
Não sendo a minha solução preferida, a solução colocada em cima da mesa pelo Presidente da República é a que temos agora. Infelizmente, no entanto, o tempo que temos para a colocar em prática é contrário a que o acordo final que resulte das negociações tenha grande interesse ou qualidade.
Portugal podia ter aproveitado a crise para discutir, de forma séria, os vários problemas com que se tem cronicamente defrontado. Podia ter aproveitado a crise para finalmente ter um debate alargado sobre o seu Estado, sobre o seu sistema político e, claro, sobre o seu modelo de desenvolvimento económico.
Dessa discussão séria poderia, de facto, surgir um verdadeiro compromisso que, mais do que de médio prazo, seria de longo prazo, definindo traves mestras para a reforma do Estado, para a sustentabilidade das contas públicas e para a competitividade da economia portuguesa no contexto europeu e global. Esse compromisso poderia, até, ter resultado em alterações constitucionais relevantes.
Não é isso a que se tem assistido. Temos visto partidos que assinaram o Memorando com a Troika a fugir do Memorando que assinaram. Temos visto constantes obstruções à reforma do Estado. Longe de termos visto um ímpeto reformista e um compromisso alargado de reforma, temos visto uma enorme dose de inércia, de defesa a todo o custo do 'status quo', por entre trocas de insultos e acusações.
Não é agora, à pressão, que se vai conseguir ultrapassar todo o tempo perdido e chegar a um acordo credível e com conteúdo útil e operacionalizável. Mesmo dentro dos próprios partidos da maioria, a resistência à mudança é patente. Temos assistido a um Governo forçado a tomar medidas impopulares a ser minado pela própria maioria parlamentar que o suporta - em particular, há que se dizer claramente, pela bancada do CDS-PP.
Não temos visto do PS mais do que isso também. Umas conversas sobre reduzir o número de deputados para 180, uma lista de compras de 10 medidas avulsas que não mostram nenhuma vontade de mudar, e uma enorme dose de retórica sobre crescimento económico. Nem as actuais agruras de François Hollande têm detido o PS de ter este tipo de discurso, nem o facto de termos passado dez anos a não crescer com essas políticas.
Na comunicação social, comentadores vários mostram o seu desprezo pela mudança. Os Josés Pachecos Pereiras e os Marcelos Rebelos de Sousa deste mundo, sem programa nem ideias para o país, bombardeiam-no com conversa fiada e análise profunda de intrigas e da baixa política. Os debates substantivos não existem, substituídos por conversa sobre diz-que-disse.
Eis que Cavaco Silva, Presidente da República, vem exigir um compromisso pós-troika. Até deu os títulos para as várias secções desse compromisso. Só que um compromisso desses, para ser credível e relevante, tem de incluir a reforma do Estado. Tem de incluir uma discussão séria sobre crescimento, que não a actual, baseada no Princípio da Ressurreição da Fada Sininho - toda a gente diz muitas vezes que quer crescimento económico até ele acontecer, da mesma forma que acreditar muito em fadas trouxe a fada Sininho de volta â vida.
Nada disso tivemos até hoje, incluindo da parte do próprio Presidente da República. Não é agora, à pressão, que vamos ter. E por isso, apesar de desejável, mesmo que surja, tenho as maiores reservas em relação ao tal compromisso exigido pelo Presidente.
Portugal podia ter aproveitado a crise para discutir, de forma séria, os vários problemas com que se tem cronicamente defrontado. Podia ter aproveitado a crise para finalmente ter um debate alargado sobre o seu Estado, sobre o seu sistema político e, claro, sobre o seu modelo de desenvolvimento económico.
Dessa discussão séria poderia, de facto, surgir um verdadeiro compromisso que, mais do que de médio prazo, seria de longo prazo, definindo traves mestras para a reforma do Estado, para a sustentabilidade das contas públicas e para a competitividade da economia portuguesa no contexto europeu e global. Esse compromisso poderia, até, ter resultado em alterações constitucionais relevantes.
Não é isso a que se tem assistido. Temos visto partidos que assinaram o Memorando com a Troika a fugir do Memorando que assinaram. Temos visto constantes obstruções à reforma do Estado. Longe de termos visto um ímpeto reformista e um compromisso alargado de reforma, temos visto uma enorme dose de inércia, de defesa a todo o custo do 'status quo', por entre trocas de insultos e acusações.
Não é agora, à pressão, que se vai conseguir ultrapassar todo o tempo perdido e chegar a um acordo credível e com conteúdo útil e operacionalizável. Mesmo dentro dos próprios partidos da maioria, a resistência à mudança é patente. Temos assistido a um Governo forçado a tomar medidas impopulares a ser minado pela própria maioria parlamentar que o suporta - em particular, há que se dizer claramente, pela bancada do CDS-PP.
Não temos visto do PS mais do que isso também. Umas conversas sobre reduzir o número de deputados para 180, uma lista de compras de 10 medidas avulsas que não mostram nenhuma vontade de mudar, e uma enorme dose de retórica sobre crescimento económico. Nem as actuais agruras de François Hollande têm detido o PS de ter este tipo de discurso, nem o facto de termos passado dez anos a não crescer com essas políticas.
Na comunicação social, comentadores vários mostram o seu desprezo pela mudança. Os Josés Pachecos Pereiras e os Marcelos Rebelos de Sousa deste mundo, sem programa nem ideias para o país, bombardeiam-no com conversa fiada e análise profunda de intrigas e da baixa política. Os debates substantivos não existem, substituídos por conversa sobre diz-que-disse.
Eis que Cavaco Silva, Presidente da República, vem exigir um compromisso pós-troika. Até deu os títulos para as várias secções desse compromisso. Só que um compromisso desses, para ser credível e relevante, tem de incluir a reforma do Estado. Tem de incluir uma discussão séria sobre crescimento, que não a actual, baseada no Princípio da Ressurreição da Fada Sininho - toda a gente diz muitas vezes que quer crescimento económico até ele acontecer, da mesma forma que acreditar muito em fadas trouxe a fada Sininho de volta â vida.
Nada disso tivemos até hoje, incluindo da parte do próprio Presidente da República. Não é agora, à pressão, que vamos ter. E por isso, apesar de desejável, mesmo que surja, tenho as maiores reservas em relação ao tal compromisso exigido pelo Presidente.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Crise política
Vítor Gaspar demitiu-se. Deixou uma carta. Foi substituído por Maria Luís Albuquerque. Paulo Portas não gostou, porque queria uma mudança política qualquer, vaga, e, depois de deixar tomar posse um Secretário de Estado do CDS-PP na área das Finanças, demite-se, sem dar água vai a ninguém.
Cai o carmo e a trindade. Há quem tente culpar Vítor Gaspar pela crise, mas confesso que a minha opinião é simples: a crise abriu-se, a sério, com a saída de Paulo Portas. E Paulo Portas saiu de forma absurda, sem sequer avisar o próprio partido. Se não gostava da escolha do Primeiro Ministro a esse ponto, devia ter de imediato dito que se demitia quando soube o nome. E mais: ao demitir-se, devia ter sido claro que o CDS-PP saía da coligação.
Não foi essa a escolha do nosso agora Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiro, que preferiu demitir-se a título pessoal e de forma "irrevogável". O Primeiro Ministro não aceitou a demissão e colocou a bola de volta no campo do CDS-PP - e, confesso, gostei de o ver a fazê-lo. Entretanto, o CDS-PP, não estando interessado em ser considerado culpado por levar à queda do Governo, leva o seu líder a renegociar a Coligação com o PSD e o CDS-PP.
(O CDS-PP, note-se, tinha duas escolhas claras: manter-se no Governo sem o líder que se tinha demitido do mesmo ou sair do Governo com o seu líder. Curiosamente, ou talvez não, não escolhe nem uma nem a outra - com isso dizendo possivelmente mais sobre a sua condição actual de dependência de Paulo Portas do que desejaria.)
A Coligação lá chega a um novo acordo, que leva ao Presidente da República. O Presidente da República, entretanto, decidiu ouvir os partidos com assento parlamentar e os 'parceiros sociais'. E no fim ia falar ao país e anunciar uma solução. Sendo que as duas soluções que lhe propuseram foram: eleições antecipadas e dar posse à remodelação da Coligação.
A minha opinião sobre essas duas soluções é clara: havia uma maioria parlamentar disposta a suportar o Governo remodelado. Nestes termos, o Presidente deveria ter dado posse aos novos Ministros que lhe foram apresentados por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Sendo que, a meu ver, nessa remodelação se criou uma posição que devia ter existido desde sempre: Vice-Primeiro Ministro. E o CDS-PP foi colocado na posição de negociador com a troika e responsável por políticas económicas, impedindo-o claramente de estar com um pé dentro e com outro fora do Governo.
Essa solução tinha, a meu ver, condições para funcionar, dados os ónus que existiam sobre os partidos da Coligação. E podia até levar a Coligação a estender-se às eleições europeias. Além de que estava a ser aceite, também lá fora, como pelo menos relativamente credível em termos de sustentabilidade.
Não defendo eleições antecipadas. A democracia parlamentar não se faz apenas de eleições. Uma democracia parlamentar saudável não se faz de eleições antecipadas constantes, principalmente quando existe uma maioria disposta a suportar um Governo. Existindo essa maioria parlamentar, com novo acordo e maior responsabilização do CDS-PP, o Governo é viável, existem condições para continuar a aplicar o seu programa.
As eleições antecipadas não são "mais democráticas" do que uma solução que mantenha em funções um Governo com apoio parlamentar. O regular funcionamento das instituições não passa por eleições constantes. E eleições neste contexto teriam custos económicos e financeiros relevantes, bem como custos políticos relevantes, minando ainda mais a credibilidade das nossas instituições e da nossa economia, quer interna, quer externamente.
De qualquer forma, compreendo que haja quem pense que sejam necessárias eleições antecipadas. Há razões que entendo como razoáveis para defendê-las, embora não concorde com a solução. (Claro que também há aqueles que defendem eleições antecipadas quase desde o Governo tomar posse, cujas razões parecem prender-se principalmente com não concordarem com este Governo do que com quaiqsquer outras.)
Mas o Presidente da República não escolheu nem a solução de dar posse ao Governo remodelado, nem a solução das eleições antecipadas. Clamou por um "compromisso de salvação nacional" de médio prazo entre PS, PSD e CDS-PP, fácil de negociar tecnicamente (?!), com conteúdo programático que inclui temas como a sustentabilidade financeira do Estado, o emprego, entre outras grandes questões. Não deu prazo para as negociações terem lugar. Não tornou claro exactamente o que pretendia. Sugeriu que podia existir uma figura com grande credibilidade para as auxiliar (mas demitindo-se de o fazer ele próprio).
Havendo esse compromisso, teríamos eleições em 2014. Depois do PAEF. Como se o PAEF acabar fosse verdadeiramente um marco. Como se este Parlamento não tivesse mandato até 2015. Como se esse facto fosse irrelevante. Como se não fosse melhor negociar o pós-troika de forma razoável e com tempo. Como se não tivesse de ter chamados o CDS-PP, o PSD e o PS às suas responsabilidades há dois anos, e constantemente promovido o diálogo, em vez das suas habituais intervenções esfíngicas de qualidade duvidosa no debate político e económico em Portugal.
Subitamente, o Presidente da República, com duas soluções simples em cima da mesa, põe o país em suspenso. Exige negociações. Não dá prazo (!) para essas negociações. Não se sabe exactamente os termos do acordo que quer - mas se é tecnicamente simples, então imagina-se que o conteúdo será um conjunto de generalidades sobre os temas quentes do momento. Mantém um Governo que se quer remodelar em funções em o remodelar, mas também com a clara declaração do Presidente de que não é a solução que defende - da mesma forma que descredibilizou a solução da remodelação e das eleições antecipadas.
Nós devíamos ter começado a preparar o pós-troika há tempo. Da mesma forma que devíamos ter começado a preparar a reforma do Estado há anos. São temas complexos, que exigem ainda por cima compromissos alargados. Eis que temos o nosso Presidente a dizer que exige um "compromisso de médio prazo" negociado em cima do joelho e à pressa - porque apesar de não haver prazo, é evidente que estamos em contra-relógio. Principalmente porque depois do incêndio financeiro causado pela demissão de Paulo Portas, tínhamos acalmia advinda de já haver uma possível solução, que se encontrou rapidamente.
É muito giro ver o Presidente fazer jogos políticos de um ponto de vista teórico. Vê-lo encostar o PSD, o PS e o CDS-PP à parede a dizer "entendam-se". Só que qual o entendimento que pode sair, à pressão, daqui? Um entendimento credível e sustentável a prazo? Um entendimento que vá para além de um conjunto de banalidades irrelevantes? Tenho sérias dúvidas. Para ser credível, precisamos de um entendimento a sério sobre, por exemplo, a reforma do Estado. Vamos consegui-lo em cinco minutos?
Não faz sentido. A meu ver, o Presidente devia ter dado posse ao Governo remodelado. Tê-lo-ia criticado se tivesse escolhido eleições antecipadas. Mas, afinal, o que o Presidente escolheu foi lembrar-se de fazer coisas que já devia ter feito à anos, provavelmente até antes da existência de Memorando, e de dizer que a sua solução ideal também passa por eleições antecipadas - só que em 2014.
O Presidente deve garantir e preservar o regular funcionamento das instituições. E ao lançar a confusão, com um discurso que tem tido milhentas interpretações, o nosso Exmo. Presidente da República fez o oposto.
E vamos todos pagar por isso.
Cai o carmo e a trindade. Há quem tente culpar Vítor Gaspar pela crise, mas confesso que a minha opinião é simples: a crise abriu-se, a sério, com a saída de Paulo Portas. E Paulo Portas saiu de forma absurda, sem sequer avisar o próprio partido. Se não gostava da escolha do Primeiro Ministro a esse ponto, devia ter de imediato dito que se demitia quando soube o nome. E mais: ao demitir-se, devia ter sido claro que o CDS-PP saía da coligação.
Não foi essa a escolha do nosso agora Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiro, que preferiu demitir-se a título pessoal e de forma "irrevogável". O Primeiro Ministro não aceitou a demissão e colocou a bola de volta no campo do CDS-PP - e, confesso, gostei de o ver a fazê-lo. Entretanto, o CDS-PP, não estando interessado em ser considerado culpado por levar à queda do Governo, leva o seu líder a renegociar a Coligação com o PSD e o CDS-PP.
(O CDS-PP, note-se, tinha duas escolhas claras: manter-se no Governo sem o líder que se tinha demitido do mesmo ou sair do Governo com o seu líder. Curiosamente, ou talvez não, não escolhe nem uma nem a outra - com isso dizendo possivelmente mais sobre a sua condição actual de dependência de Paulo Portas do que desejaria.)
A Coligação lá chega a um novo acordo, que leva ao Presidente da República. O Presidente da República, entretanto, decidiu ouvir os partidos com assento parlamentar e os 'parceiros sociais'. E no fim ia falar ao país e anunciar uma solução. Sendo que as duas soluções que lhe propuseram foram: eleições antecipadas e dar posse à remodelação da Coligação.
A minha opinião sobre essas duas soluções é clara: havia uma maioria parlamentar disposta a suportar o Governo remodelado. Nestes termos, o Presidente deveria ter dado posse aos novos Ministros que lhe foram apresentados por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Sendo que, a meu ver, nessa remodelação se criou uma posição que devia ter existido desde sempre: Vice-Primeiro Ministro. E o CDS-PP foi colocado na posição de negociador com a troika e responsável por políticas económicas, impedindo-o claramente de estar com um pé dentro e com outro fora do Governo.
Essa solução tinha, a meu ver, condições para funcionar, dados os ónus que existiam sobre os partidos da Coligação. E podia até levar a Coligação a estender-se às eleições europeias. Além de que estava a ser aceite, também lá fora, como pelo menos relativamente credível em termos de sustentabilidade.
Não defendo eleições antecipadas. A democracia parlamentar não se faz apenas de eleições. Uma democracia parlamentar saudável não se faz de eleições antecipadas constantes, principalmente quando existe uma maioria disposta a suportar um Governo. Existindo essa maioria parlamentar, com novo acordo e maior responsabilização do CDS-PP, o Governo é viável, existem condições para continuar a aplicar o seu programa.
As eleições antecipadas não são "mais democráticas" do que uma solução que mantenha em funções um Governo com apoio parlamentar. O regular funcionamento das instituições não passa por eleições constantes. E eleições neste contexto teriam custos económicos e financeiros relevantes, bem como custos políticos relevantes, minando ainda mais a credibilidade das nossas instituições e da nossa economia, quer interna, quer externamente.
De qualquer forma, compreendo que haja quem pense que sejam necessárias eleições antecipadas. Há razões que entendo como razoáveis para defendê-las, embora não concorde com a solução. (Claro que também há aqueles que defendem eleições antecipadas quase desde o Governo tomar posse, cujas razões parecem prender-se principalmente com não concordarem com este Governo do que com quaiqsquer outras.)
Mas o Presidente da República não escolheu nem a solução de dar posse ao Governo remodelado, nem a solução das eleições antecipadas. Clamou por um "compromisso de salvação nacional" de médio prazo entre PS, PSD e CDS-PP, fácil de negociar tecnicamente (?!), com conteúdo programático que inclui temas como a sustentabilidade financeira do Estado, o emprego, entre outras grandes questões. Não deu prazo para as negociações terem lugar. Não tornou claro exactamente o que pretendia. Sugeriu que podia existir uma figura com grande credibilidade para as auxiliar (mas demitindo-se de o fazer ele próprio).
Havendo esse compromisso, teríamos eleições em 2014. Depois do PAEF. Como se o PAEF acabar fosse verdadeiramente um marco. Como se este Parlamento não tivesse mandato até 2015. Como se esse facto fosse irrelevante. Como se não fosse melhor negociar o pós-troika de forma razoável e com tempo. Como se não tivesse de ter chamados o CDS-PP, o PSD e o PS às suas responsabilidades há dois anos, e constantemente promovido o diálogo, em vez das suas habituais intervenções esfíngicas de qualidade duvidosa no debate político e económico em Portugal.
Subitamente, o Presidente da República, com duas soluções simples em cima da mesa, põe o país em suspenso. Exige negociações. Não dá prazo (!) para essas negociações. Não se sabe exactamente os termos do acordo que quer - mas se é tecnicamente simples, então imagina-se que o conteúdo será um conjunto de generalidades sobre os temas quentes do momento. Mantém um Governo que se quer remodelar em funções em o remodelar, mas também com a clara declaração do Presidente de que não é a solução que defende - da mesma forma que descredibilizou a solução da remodelação e das eleições antecipadas.
Nós devíamos ter começado a preparar o pós-troika há tempo. Da mesma forma que devíamos ter começado a preparar a reforma do Estado há anos. São temas complexos, que exigem ainda por cima compromissos alargados. Eis que temos o nosso Presidente a dizer que exige um "compromisso de médio prazo" negociado em cima do joelho e à pressa - porque apesar de não haver prazo, é evidente que estamos em contra-relógio. Principalmente porque depois do incêndio financeiro causado pela demissão de Paulo Portas, tínhamos acalmia advinda de já haver uma possível solução, que se encontrou rapidamente.
É muito giro ver o Presidente fazer jogos políticos de um ponto de vista teórico. Vê-lo encostar o PSD, o PS e o CDS-PP à parede a dizer "entendam-se". Só que qual o entendimento que pode sair, à pressão, daqui? Um entendimento credível e sustentável a prazo? Um entendimento que vá para além de um conjunto de banalidades irrelevantes? Tenho sérias dúvidas. Para ser credível, precisamos de um entendimento a sério sobre, por exemplo, a reforma do Estado. Vamos consegui-lo em cinco minutos?
Não faz sentido. A meu ver, o Presidente devia ter dado posse ao Governo remodelado. Tê-lo-ia criticado se tivesse escolhido eleições antecipadas. Mas, afinal, o que o Presidente escolheu foi lembrar-se de fazer coisas que já devia ter feito à anos, provavelmente até antes da existência de Memorando, e de dizer que a sua solução ideal também passa por eleições antecipadas - só que em 2014.
O Presidente deve garantir e preservar o regular funcionamento das instituições. E ao lançar a confusão, com um discurso que tem tido milhentas interpretações, o nosso Exmo. Presidente da República fez o oposto.
E vamos todos pagar por isso.
domingo, 9 de junho de 2013
Obama de asas queimadas
Talvez sejam os problemas de uma estrutura que permanece imóvel independentemente de quem ocupe o lugar, mas parece que a queda deste presidente pode vir a depender mais dos vícios herdados do seu predecessor que dos seus próprios erros. Segurança e Privacidade. Afinal a linha já fora traçada na areia.
a ver (fonte):
a ver (fonte):
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Qual é a tua meu?
O discurso de João Almeida hoje no parlamento fez-me lembrar dos GNR.
"à boleia, pela rua, lá vou eu ao mercado comum, quando lá cheguei vi o boss, tinha cunhas, foi o que me valeu, perguntei-lhe, qual é a tua meu?"
Infelizmente berrar com os parceiros europeus, como sugerem outros, também não é solução.
Independente disso os GNR são os maiores.
"à boleia, pela rua, lá vou eu ao mercado comum, quando lá cheguei vi o boss, tinha cunhas, foi o que me valeu, perguntei-lhe, qual é a tua meu?"
Infelizmente berrar com os parceiros europeus, como sugerem outros, também não é solução.
Independente disso os GNR são os maiores.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Porque apoio os protestos na Turquia… e porque também o deverias fazer! Why I support the protests in Turkey… and why you should too!
(Also writen in –bad - English)
Escrevo do conforto de um Hostal na Colombia. Neste momento,
aguardo que os dias passem até me reencontrar com o amor das minhas vidas. Sou
acolhida por pessoas que aprendi a chamar de familia. Para muitos, a questao
que podem pensar é: porque passas os últimos tempos a fazer tantos posts sobre
o que se passa na Turquia?
Ao longo dos próximos parágrafos vou explicar porque o faço,
e também porque acho que também o deverás fazer. A razao é muito simples:
amizade. Se eu hoje estou aqui a viver um sonho… Se hoje descobri a minha
paixao, e descobri o amor é em grande medida debido aos amigos turcos que tenho.
Passo a explicar: há pouco menos de dois anos eu era uma
pessoa a iniciar uma aventura à volta do mundo. Cheio de receios e esperanças,
aventurava-me pelos caminhos do mundo. Escolhi como ponto de arranque a
Turquia, e mais específico, Istanbul. E em boa hora o fiz. Os turcos, como
aprendi por experiência, sao dos povos mais acolhedores que conheci. Fui
recebido por pessoas que passei a chamar de amigos próximos, como se fosse um
membro da sua familia.
Eles foram os que retiram os meus medos e demonstraram que
por onde passas encontras pessoas muitos especiais. De certa forma, foram eles
que me prepararam para tudo o que se
seguiu na minha viagem.
Foi com um enorme choque, que eu tomei conhecimento do que
se estava a passar na Turquia. De imediato quis ajudar, mas o máximo que tenho
conseguido, a esta distancia, foi publicitar o que os media nao transmitiam.
Os meus amigos turcos têm nome, sao reais e muito
importantes na minha vida. Eles, ou pessoas próximas a eles, estao a arriscar a
sua vida contra a opressao e violencia do seu próprio estado. Num acto de
extrema coragem que me enche de orgulho de os conhecer, e a humildade de que
eles sao pessoas mesmo muito extraordinárias com quem eu tenho muito que
aprender.
Por isso eu apoio os protestos. Porque sei que nao sao uns
manifestantes “rúfias”. Sao pessoas como tu e eu, mas que se cansaram de viver
num estado que os oprime. E se duvidas existissem, a carga policial nao deixa
nenhuma. Hoje, eles combatem contra a opressao do Estado e a censura dos media.
Causas que sempre apoiarei e que sao minhas independentemente de
nacionalidades.
Mas esta nao é apenas uma causa dos turcos. É também nossa,
por os laços de amizade e solidariedade que nos unem. E se hoje lutamos ao lado
dos turcos, lutamos também por um mundo melhor na nossa sociedade. Porque a
opressao, violência e censura nao é apenas monopólio do Estado Turco. Qualquer
sociedade nao está imune a que isso aconteça. E se nao lutarmos, se nao
demonstrarmos que nao toleramos isso, hoje serao os turcos, amanha seremos nós!
I write from the confort of an Hostal in Colombia. Right now
I am counting the days to reunite with the love of my lives. And I am in a
place welcomed by people I learn to call family. For many the question is: Why
then, I spend so much time talking and posting about something so far away?
Through the rest of the text I will try to explain why I do
it, and why I think you should too. My reason is quite simple: frendship! If
today I am here, living a dream. If today I discovered my passion and love is,
to a great extent, due to my turkish friends.
Less tan two years ago I was a normal guy (still am though)
about to start a journey that would change my life completly. Full of hopes and
fears, I started my path through this world. I decided to start my trip around
the world in Turkey. More precisely in Istanbul. And thank God (whatever it is)
that I did so. The turkish people, as I learnt through experience, are one of
the most welcomening people I met. I was received by people, that became close
friends, like I was a member of their own family.
They took all my fears away, and demonstrated that, no
matter where you go, you will meet special people. In a way, they where the
people that prepare me for everything that happened afterwards in my journey.
It was with great shock that I knew about what was happening
in Turkey. Immediatly I wanted to help, but the maximum I can do, this far
away, is to spread the word about what was happening and give full support to
them.
My turkish friends have names, they are real and very
important in my life. They, or close persons to them, are risking their own
lives against oppression and violence of
their own state. In an act of extreme courage that fills me with pride to know
them, and humbleness of the great people they are and from whom I still have a
lot to learn.
That is why I support these protests. They are not petty
criminals protesting. They are people like you and me. People who got tired of
living with a government that oppresses them. And if there was any doubts that
this was true, the police charges made it clear that they are right. Today they
fight against oppression of the state and censoring of the media. Something
that I will always support no matter what nacionality.
But this is not an issue only of the turkish people. It is
also ours. Bounded by ties of friendship, it is a cause of every one of us. A
if today we fight side by side with the turkish poeple, we fight also to
improve our society. Oppression, violence and censorship is not a monopoly of
the Turkish state. No society is imune to this.
If we do not fight now, demonstrating that we don’t tolerate these
actions, today will be the turkish people suffering, but tomorrow will be us!
terça-feira, 4 de junho de 2013
Manifestaçao
Vai existir uma manifestaçao de apoio aos protestos na Turquia e para pedir que o governo turco pare com a violência contra os seus cidadaos. Espero que todos encontrem um pouco do seu tempo para ir.
Para mais informaçoes favor seguir o link:
http://www.facebook.com/events/116815045155564/
sábado, 1 de junho de 2013
(r)EVOLUÇAO
Hoje, em dia de protestos, regresso à Europa. Primeiro à cidade que em que arranquei para a minha aventura: Istanbul. Desde o início da semana que existem protestos por lá. O que começou como um protesto contra a construçao de mais um centro comercial transformou-se, corajosamente num protesto contra o governo. A repressao é violenta, mas eles, num exemplo que me enche de orgulho, continuam. Ultrapassando o medo da prisao e da morte, num espirito de luta que espero que contamine o resto da Europa.
Hoje vivemos numa era difícil. Nao só os Estados perdem o seu medo de utilizar a força bruta, mas também as empresas se dao ao luxo de censurar as lutas que existem. A CNN foi o melhor exemplo disto mesmo. Enquanto dava noticias dos protestos no seu canal internacional, as omitia no seu canal local da Turquia. Demonstrando que as acçoes anti-democráticas nao sao monopólio de países em vias de desenvolvimento, mas sao praticadas e originadas também no mundo ocidental, naquele que habitamos e pelo qual temos a responsabilidade de o manter livre e democrático.
Por isso a luta na Turquia nao é apenas dos Turcos, é também nossa. E nunca tivemos tantos motivos para sair e lutar. Cinco anos depois da crise arrancar, quase nenhum responsável foi chamado a assumir essa responsabilidade. O gap de riqueza tornou-se maior. A censura aumentou, as pessoas perderam emprego e muitas suicidaram-se pelas condiçoes desesperantes que viviam. Hoje, a democracia está cada vez menor, sem alternativas a uma politica que é miope e que nao muda nada de substancial.
Cinco anos depois, nao basta um protesto. É preciso coragem, a mesma coragem que os turcos demonstram neste preciso momento. É preciso mudar radicalmente o que existe, revolucionar a sociedade e construir o nosso próprio futuro. Um que seja de inclusao, sonho e utopia. Que nos una naquilo que temos de comum e que nos faça ultrapassar esta crise e chegarmos a um destino melhor.
Que os protestos de hoje, sejam o primeiro dia de uma nova (r)EVOLUÇAO e que esta seja original. Que traga o espirito positivo para ela e nos leve a fazer melhor que no passado. E que seja inclusa de todos. Todos os generos e opçoes de vida e que nao se esqueça, como todos as outras que a antecederam, que a (r)EVOLUÇAO é feminina e que esta traga a novidade de terminar com esta discriminaçao contra as mulheres que existe e persiste há milhares de anos!
quarta-feira, 22 de maio de 2013
A dona Demagogia e o seu bébé
De repente, com esta história do Martim no programa Prós-e-Contras, no qual a dona Demagogia costuma ser convidada e também sentar-se na bancada a rir e bater palmas, a esquerda de Facebook virou direita.
De repente as leis naturais do mercado não são o Papão.
É caso para dizer que a dona Demagogia enquanto dava de mamar ao seu bébé, lhe fez uma carantonha e este sorriu satisfeito.
De repente as leis naturais do mercado não são o Papão.
É caso para dizer que a dona Demagogia enquanto dava de mamar ao seu bébé, lhe fez uma carantonha e este sorriu satisfeito.
sábado, 18 de maio de 2013
A minha experiência de um ano na Startup Lisboa.
No final de 2011 a Beta-i foi uma das primeiras organizações a ser convidada para se instalar na incubadora de startups web e mobile da cidade de Lisboa, a Startup Lisboa, gerida pelo João Vasconcelos, e esta experiência de cerca de um ano foi muito interessante, porque passámos de um escritório na zona do Marquês de Pombal, o nosso "casulo" para um ambiente onde no mesmo prédio na Rua da Prata estão instaladas dezenas de startups, muitas das quais também passaram por algum dos programas de aceleração da Beta-i, como o Beta-start ou Startup Weekend. Sim, a Beta-i não é uma startup tradicional, é uma organização sem fins lucrativos que tem como objectivo promover o "eco-sistema" empreendedor na Lusofonia, e onde existam comunidades portuguesas mas, ainda assim partilha muitas das mesmas "dores" de crescimento de uma startup no sentido clássico.
Trabalhar num ambiente como o do Startup Lisboa não é como estar numa incubadora tradicional, é uma experiência fantástica. Como o espaço tem uma porta principal que dá acesso a todo o edifício, todos os dias nos cruzamos com os fundadores de outras equipas, nem que seja à porta à hora do almoço, e não raras vezes tomamos café só para trocar umas notas, perceber o que está a correr bem e mal. Temos também vários eventos a decorrer na Startup Lisboa numa base quase diária, desde workshops sobre Lean UX até eventos com empreendedores convidados nacionais e internacionais, que acabam também por agregar pessoas interessadas com vários perfis, empreendedores, futuros empreendedores, empregados frustrados com o seu dia-a-dia e até pessoas à procura de um novo começo.
A verdade é que estando todos juntos conseguimos manter a nossa individualidade mas acabamos por acompanhar as dores de crescimento uns dos outros. Há uma sensação de osmose constante, e um espírito de entre ajuda genuíno, partilham-se contactos de capitais de risco, técnicas de pitching, serviços, mentores e acho que essa é a melhor prova que este é um modelo vencedor e isso é extremamente positivo. Estamos a criar algo de novo, todos os dias testamos, todos os dias validamos e acreditamos que esta primeira experiência nos isola de um certo "desânimo que parece dominar o resto da sociedade portuguesa".
A Startup Lisboa é a primeira borbulha de “acne” que nos diz que passámos da infância para a puberdade, e quase todos nos lembramos como o acne era uma coisa chata, mas um sinal inequívoco das mudanças biológicas que estão a ocorrer no nosso corpo. Por analogia, o ecosistema de empreendedorismo da cidade de Lisboa está a entrar na adolescência que é também uma fase de inquietações e de grandes desafios. Se queremos mudar de forma irreversível o panorama da cidade, vamos ter de continuar a remar todos contra os “velhos do Restelo” porque os tempos estão a mudar... e neste ponto em particular para melhor, com a abertura de novos espaços de trabalho em locais centrais da cidade, como atesta a recente abertura da Central Station mesmo ao lado do "Mercado da Ribeira."
André Marquet, Co-Fundador da Beta-i
domingo, 12 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Martin Gilbert Domina!
Acabo de ler um dos volumes da História do Século XX, de Martin Gilbert, que tem vindo a sair com o Expresso. Aqui
Passe a publicidade, vale muito a pena para quem gosta de História.
Boas Leituras
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História do Século,
Martin Gilbert
quarta-feira, 8 de maio de 2013
O Futuro está a Oriente!
Com a devida vénia ao Instituto Diplomático, onde li, que na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, haveria uma Conferência sobre as Relações Luso-Chineses, pelo Professor da Universidade de Stanford, Ming K. Chan (que não conhecia).
Aprendi algumas coisas novas, mas do que gostei mais, foi da visão refrescante da passagem dos Portugueses e a nossa relação quincentenária com a China.
PS: A Paixão com que o Professor Chan falou do nosso vinho verde foi um saudável tónico.
Aprendi algumas coisas novas, mas do que gostei mais, foi da visão refrescante da passagem dos Portugueses e a nossa relação quincentenária com a China.
PS: A Paixão com que o Professor Chan falou do nosso vinho verde foi um saudável tónico.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Então e os Juros devidos ao Contribuinte Senhores Doutores?
Leio aqui, que se descobriu que médicos das mais diversas especialistas têm recebido prémios de elevado valor por fazer o trabalho para que estão a ser pagos pelos contribuintes.
O Estado vai "recuperar" o dinheiro que os seus administradores deram ordem de pagamento.
Várias perguntas podem ser feitas:
1.ª É normal acontecer um médico oftalmologista do meu Algarve receber, mais de 1 milhão de Euros por ano em prémios?
2.ª Quantos médicos estão nesta situação?
3.ª Qual é a posição da Ordem dos Médicos sobre esta situação?
4.ª As Administrações Hospitalares autorizaram isto?
5.ª Se sim, com que justificação?
6.ª Quem paga os juros ao Contribuinte?
O Estado vai "recuperar" o dinheiro que os seus administradores deram ordem de pagamento.
Várias perguntas podem ser feitas:
1.ª É normal acontecer um médico oftalmologista do meu Algarve receber, mais de 1 milhão de Euros por ano em prémios?
2.ª Quantos médicos estão nesta situação?
3.ª Qual é a posição da Ordem dos Médicos sobre esta situação?
4.ª As Administrações Hospitalares autorizaram isto?
5.ª Se sim, com que justificação?
6.ª Quem paga os juros ao Contribuinte?
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Deriva securitária
Umas das coisas que me preocupou mais depois do atentado em Boston foi que a política americana se voltasse para o assunto em peso e fossemos brindados com mais uma vaga de medidas securitárias, em que a procura de capital político levasse cada representante eleito a uma corrida pelo título de "mais duro com o terrorismo". O medo das populações acoplado ao frenesim mediático permitiria que fossem aprovadas medidas claramente ofensivas dos direitos e liberdades dos cidadãos. O desejo por mais segurança justificava agora o sacrifício de mais um pouco de liberdade com ganhos de segurança questionáveis. Haveria ainda a possibilidade de tudo isto ser contagioso e de muitas elites europeias aproveitarem elas também para passar uma outra medida mais controversa que tornaria a nossa vida um pouco mais difícil. Foi o que se verificou a seguir ao 11 de Setembro de 2001.
Por agora, a preocupação mantém-se mas na esperança de que a América esteja mais sóbria deixo aqui esta recomendação de leitura de um dos meus autores favoritos sobre o tópico segurança:
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