sábado, 23 de novembro de 2013

Why it’s China and not Google that is putting the remainder of the human race on the Internet: the Cape Verde case.




Google Loon has been launched last June with a test trial in New Zealand with the same fanfare of other “world-changing” telecom technologies coming out of Google, like Google Fiber, unfortunately for the 5 billion  people that are still out of the Internet, Google Loon is not just a Moon shoot it’s simply not right way to bring them online. Here’s why.

Google Loon is a project coming from Google’s own “skunkworks” Google X, an internal division of the company designed to freely explore so-called moon-shot ideas, essentially a R&D division freed of the corporate agenda and financed by Adwords money. Google Loon is ingenious, project that would cover the stratosphere of a region with weather balloons fitted with navigation technology that allows them to roam over specific areas and provide for an aerial Wide Area Network of 40km radius with derivative radio version of WiMax that can be picked up by specialized equipment. Then make sure that the ballon fleet uses a mesh network to communicate with each other and with ground stations that will route the signal from the Internet. In a way Google Loon remembers another telecom technical feat that proved to be obsolete and have a poor business model by the time it was complete, the Motorola backed low-earth orbit constellation of satellites Iridium, and it is similarly doomed.

In fact the real transformative process behind Internet and mobile phones in Africa is being done by... China. And, the same way that most African countries simply skipped cabled phone infrastructure, they are also going directly into mobile Internet, mostly provided at the expenses of credit lines offered by Bank of China to telecom operators across the region in order not only to get the support of these governments for other businesses deals but also to support its home grown kit makers Huawei and ZTE.

It’s companies like Huawei and ZTE that are truly changing the Internet landscape of the African and Asian continents mostly because they were the first to provide infra-structure, at prices that can be afforded by local telcos and consumers. Unlike European kit makers that initially designed they hardware to sustain the relatively cold or temperate weather of northern european countries, Chinese makers had no choice but to develop base station radio technology that could endure extreme humidity, and high temperatures essentially the harsh weather conditions of countries between the tropics which constituted the base for Chinese companies international expansion.

The shift from fixe access to mobile in the developing countries is already visible in Internet kiosks where attendance has dropped significantly (http://qz.com/148734/internet-cafes-in-the-developing-world-find-out-what-happens-when-everyone-gets-a-smartphone/#!) as more people delve into their feature or smartphones to check on Facebook, or the latest videos or search on Google. As lots of developing countries now have 3G and even 4G infra-structures, mobile Internet is becoming widely available, think of Cape Verde, an archipelago country 500Km west of Senegal with only half of million people scattered by 10 islands and 2 mobile private operators, each one featuring a 3G network. In a word, even a country with all the logistic challenges to deliver mobile data network like Cape Verde, it is possible do so in free market conditions. 

Another point Google Loon is apparently missing is a business model that includes local players.  Needless to say that a critical element of success is that mobile telcos in most developing nations represent a huge economic opportunity for local governments and a list of private entrepreneurs. Also, part of the huge success of mobiles in poor countries are micro-entrepreneurs like Cátia that being at the end of this economic chain, but are still able to play its part on this industry. Cátia sells a wealth of mobile services, including 3G pens, SIM cards, phones like the 10 USD one depicted on the picture and topping up services on the streets of Praia, Cape Verde, receiving a small transaction fee from the local operators, in essence does Google really want to face an entire eco-system of traders on top of the mobile industry. If Google Loon plans to offer Internet for free then it’s missing the point, the same way that telco operators don’t get it by charging roaming fees that make satellite phone calls seem a bargain.

Google’s mission is a noble one: to bring the remainder of humanity to the Internet and unarguably, the future of Africa is also on the Internet, but as much of PR stunt that Google Loon has been it will play a little part on enabling it, except for (maybe) providing Internet in stress relief situations when mobile infrastructure is damaged but even then setup times would make it difficult, and constellation of worldwide balloons circling our heads is not a moonshot, it’s simply unnecessary. Don’t take me wrong, but I actually think that Google has done much regarding this aspect for billions of people that are now on Internet thanks to Android operating system, which has enabled phone manufacturers (including Huawei and ZTE) to bring cheaper smartphones to the masses. So, next time you travel to Africa just buy a local data plan SIM card and insert it on your Android smartphone and you should be ready to go!


André Marquet is currently in Cape Verde facilitating Startup Weekend in Praia, and Mindelo, and has worked for Huawei and organized events in partnership with Google among other companies.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Judite Vs Lourenzo


Já não escrevia aqui há muito tempo, mas agora que tenho mais disponibilidade apeteceu-me escrever sobre a entrevista que a Judite Sousa fez ao Lourenzo (também conhecida como Judite Vs Lourenzo).

Li uma série de artigos e opiniões (em jornais, blogs, etc...) e causou-me alguma confusão a unanimidade que existia nas opiniões expressas nesses textos. Em quatro linhas a opinião de toda a gente que li sobre o assunto era a seguinte.

A Judite Sousa, jornalista que calça Louboutin e aufere um salário milionário, faz uma entrevista a um rapaz brasileiro rico, onde além de ter ignorado uma série de erros apontados por Lourenzo na peça que tinha antecedido a entrevista, fez uma série de insinuações (enfim “insinuações” é uma forma porreira de referir o que acontceu ali) sobre o estilo de vida de Lourenzo, num país que atravessa uma crise económica grave.

Que uma coisa seja clara, concordo com todos os que dizem que a entrevista foi uma vergonha. Isso não está em causa.

O que me custa a compreender é o choque que isto causou. Aliás não sou só eu, a Judite também ficou chocada. Passo a explicar.

O telejornal da TVI tem, desde há uma série de anos, optado por um estilo de notícias mais populares, estilo esse que foi acentuado com a migração de uma série de pessoas de classe social mais elevada para os canais do cabo (como aliás também aconteceu a outros canais generalistas).

Tal significa que algo que causaria estranheza ao público alvo num canal como a SIC Notícias, seria aceitável numa estação como a TVI ou como a CM TV. Não estou aliás a criticar essas estações ou programas. É o posicionamento escolhido pela estação emitente para certos segmentos de mercado. 

Por outro lado, parece também haver alguma confusão sobre o porquê da entrevista. A resposta é simples: do ponto de vista informativo não há nenhuma. Mas um telejornal de um canal generalista é suposto ser um programa informativo? Talvez, mas não é. 

Um telejornal de um canal generalista não passa de um programa de entretenimento que é interessante porque os acontecimentos foram (ou podiam ter sido) verdade. No fundo, são verosímeis, mas se são geralmente verdadeiros por vezes são falsos.

(nunca vi aliás num telejornal uma errata (mas admito que tenham sido feitas), o que os colocará ao lado do Papa, na capacidade de não errar). 

É que a mera aparência de realidade é a razão pela qual a Judite Sousa nem pestanejou quando o rapaz desmentiu uma série de pontos na peça.

É que na verdade é pouco relevante se o que está a ser dito (e ela sabe-o)  é verdade ou é mentira, sendo que se for mentira pode ser pior para a história (no presente caso retirava apoio à tese de opulência e esbanjamento que a peça tentava passar).

Também acho que se discutiu pouco o significado das palavras da Judite Sousa quando confontada com a polémica: “Se o meu tom foi considerado excessivo é porque as pessoas têm razão. Dou a mão à palmatória." 

No meu entender são palavras de quem está vencida mas não convencida e eu compreendo porquê. 

É que cada vez que a Judite faz este tipo de entrevistas ela encarna um personagem, que não se deve confundir com o que a verdadeira Judite acha sobre o caso.

A personagem que lhe pareceu profissionalmente correcto encarnar foi a personagem do seu público alvo, que lhe pareceu que ficaria chocado com o dinheiro que o rapaz esbanja.

A Judite real provavelmente está-se nas tintas para quanto o rapaz gasta ou como gasta. Provavelmente se tivesse o dinheiro dele, gastaria da mesma forma.

Ficou espantada, porque as pessoas acreditaram mesmo que ela estava verdadeiramente chocada com o estilo de vida do rapaz.

O que a Judite achou, é que a entrevista tinha tudo para correr bem para o canal dada a exuberância do "rico mau" (num país em que os ricos se esforçam para não ser exuberantes), a demografia do canal e uma peça inflamatória inicial.
E o que era para ser um sucesso tornou-se num case study para os diretores de informação, onde se descobriu o limite da imbecilidade que pode existir num telejornal (sobretudo se houver contraditório do entrevistado).

Não se pense no entanto que o resultado deste raciocínio será informação de qualidade e isenta. Isso é chato e não é esse o objectivo do programa em causa. No fundo diminui-se a intensidade, admite-se um erro e business as usual.

O que me faz confusão, como vi várias vezes escrito, é olhar para um telejornal da TVI como uma referência de informação séria e isenta e para uma jornalista de um programa neste formato como baluarte da verdade. Isso parece-bastante inocente.

É que não é assim para o Lourenzo, como não é assim há anos para todos os outros entrevistados, e é isso que me faz alguma confusão.

É que no caso dos outros ninguém disse nada.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O apoio do Estado ao Sector Automóvel

Apenas três semanas depois de aprovar um novo Código da Estrada que promove de forma decisiva a liberdade e a segurança das pessoas, num processo em que os deputados da AR se deixaram, muito bem influenciar por um movimento da sociedade civil, a Assembleia da República aprovou ontem uma Resolução que recomenda ao Governo a adoção de medidas urgentes de apoio ao sector automóvel.

Entra elas incluem-se:
  • Facilitação de acesso ao financiamento
  • Dar prioridade à indústria nacional automóvel no desenvolvimento de políticas de apoio ao investimento
  • Canalizar meios financeiros para o sector no próximo quadro de fundos comunitários 2014-2020
  • Incentivo à compra de veículo novo através de programa de incentivos ao abate
  • Isenção de IUC para veículos em revenda
  • Baixa do ISV para determinados segmentos de veículos

Estas medidas sem exceção implicam o desvio de recursos promovido pelo Estado para o sector automóvel face a outros sectores da economia. Também implicam na maioria o estímulo ao consumo automóvel. Pergunto-me, porque raio deve o sector automóvel ser promovido face a outros?

Todas as tendências – económicas, ambientais, sociais – têm contribuído e apontam claramente para a continuação a longo prazo do decrescimento da importância do sector automóvel.

De facto, é surpreendente que tal proposta ainda possa ocorrer em 2013, num momento em que:

- Estamos numa crise económica e financeira causada pelo consumo excessivo, sendo a aquisição de automóvel um dos principais responsáveis por esse excesso;
- Portugal é dos países em que este erro foi levado ao extremo, dado que possui uma frota automóvel desproporcionalmente grande e luxuosa para o nível de desenvolvimento económico do país;
- Os países mais desenvolvidos da Europa têm caminhado e continuarão a caminhar no sentido de retirar progressivamente o automóvel das cidades, por motivos de bem-estar e segurança da população que vive e trabalha nas cidades. O "pico" de utilização do automóvel já aconteceu em países como a Alemanha e a Inglaterra, antes da crise;
- As economias emergentes não são em geral uma opção para exportação de produção portuguesa no sector automóvel;
- A economia de Portugal precisa urgentemente de se reestruturar e investir no sentido de setores sustentáveis e com futuro;
- É necessário continuar o caminho de contenção no consumo, sendo o automóvel um dos fatores de poupança com maiores benefícios laterais para o indivíduo e para a sociedade.

Esta notícia deixou-me uma sensação a "azia", e escrevi uma carta aos deputados da AR. O processo de revisão do Código da Estrada (muito bem, Sr(a)s Deputado(a)s!) dá razões para ter esperança de que possa ser ouvida. Oxalá...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O «novo ciclo»

Vamos continuar a ter de reformar o Estado, cortar despesa e reformar o nosso modelo de desenvolvimento. Vamos continuar a ter um problema de finanças públicas para resolver. Todas essas questões fundamentais não fogem só porque dá jeito em termos de retórica política. 

Mas eis que nos anunciam um 'novo ciclo', virado para o investimento. O 'novo ciclo' vem com nova orgânica ministerial e com um plano de reforma do Código do IRC preparado por um grupo de trabalho que já vinha do 'antigo ciclo'. 

Acontece que nós continuamos a ter de resolver o nosso problema de finanças públicas e a ter de reformar o Estado. Por outro lado, o crescimento das exportações com a crise não é o mesmo que dizer que o nosso modelo de desenvolvimento se alterou - em particular quando vemos ideias a flutuar sobre programas de apoio à construção.

Por outro lado, se quisermos continuar a ter financiamento externo, em particular da «troika», vamos ter de continuar a aplicar medidas de austeridade. Por muito que muito boa gente pense que o que é preciso é ter «voz grossa», isso é muito fácil de dizer da Oposição, mas na prática serve essencialmente para antagonizar o outro lado com que se negoceia. 

O «novo ciclo», em termos substantivos, não se iniciou com a remodelação governamental e com a moção de confiança. Teve início em 2011, quando uma crise internacional veio pôr a nu os problemas estruturais que Portugal passou (sejamos simpáticos) dez anos a empurrar com a barriga. E os problemas com que nos defrontamos são problemas complexos, não se resolvem em dois anos, e podemos bem ter mais uma década deste ciclo, depois da década anterior de crescimento quase inexistente. 

O «novo ciclo» anunciado pelo Governo é uma manobra retórica. O ênfase retórico agora vai estar em falar sobre crescimento económico, sobre investimento (público e privado), sobre «a economia», e menos sem finanças. Vamos ver medidas como a reforma do Código do IRC anunciadas com pompa e circunstância. 

Mas o problema de finanças públicas vai continuar a existir, o problema da reforma do Estado vai continuar a existir e o problema dos cortes de despesa vai continuar a existir. Cortar no IRC significa que o ênfase no corte de despesa pública não só não vai desaparecer, como vai tornar-se ainda mais relevante - é importante que o corte no IRC, a existir, não seja visto como temporário, na medida em que o défice se mantenha um problema.

Em termos substantivos, vamos continuar a ter medidas de austeridade. A retórica do Governo poderá mudar. Mas duvido que tenhamos um milagre económico trazido por um pacote de medidas intervencionistas governamentais com dinheiro que não existe, tenho quase a certeza que os estímulos que vão sendo passados continuem a ter efeitos nulos (Impulso Jovem, Estímulo 2012 e 2013...), e não estou a ver a reforma do Código do IRC a ter grandes efeitos sem cortes na despesa e uma reforma a sério do Estado.

sábado, 20 de julho de 2013

Fim das negociações

Não há acordo, como era expectável.

De qualquer forma, o PS podia ter poupado o país a uma semana de negociações e ter dito expressamente que não aceitava negociar.

A leitura do seu documento de 'salvação nacional' mostra como não existiu qualquer tentativa de aproximar posições com PSD e CDS. Inclui uma secção de três parágrafos sobre reforma do Estado, inclui uma secção maior sobre 'governabilidade' em que se fala do facto do PS querer uma maioria absoluta e da importância teórica do compromisso - que o PS diz praticar mas tornou claro que não pratica.

Por outro lado, todo o documento do PS ignora, por completo, a existência da 'troika'. Continua com a noção mirífica de que Portugal vai impor condições à 'troika' para continuar tudo na mesma, aliás provavelmente voltando atrás com cortes na despesa que já foram feitos. Isto num momento em que o que está em causa é precisamente cortes na despesa e reforma do Estado.

Como disse, o PS podia ter poupado o país a uma semana de 'negociações' em que aquilo que ficou claro foi o seu desinteresse em participar em negociações com a 'troika' e depois sujeitar-se aos resultados das negociações. Isto é um dado importante. Deviam perguntar claramente a António José Seguro qual a razão pela qual o PS não se presta a participar nas reuniões com a 'troika' desde já, apresentando todas as suas 'soluções', que diz que conseguiria impor se fosse Governo.

Por outro lado, é significativo que o PS nem se tenha dignado a responder positivamente a uma carta em que o PSD pediu que elencasse aquilo em que considerava poder haver acordo, tal como é significativo que o PS tenha exigido que só houvesse acordo se houvesse acordo em relação a tudo. Tal como é relevante que o PS tenha apresentado cópias de passagens do seu 'Documento de Coimbra'.

Mas mais: olhando para o documento do PS, mal se entende que não tenha negociado com BE e PCP. O BE convidou-o a negociar, o PS recusou e, muito ironicamente, acusou o BE de fazer 'jogos partidários'. Da mesma forma que foi com fina ironia que acusou PSD e CDS-PP de terem culpa do fim, sem sucesso, de negociações para as quais partiu sem qualquer interesse em ceder.

Quanto ao PSD, queria acordos relativamente a memorando com a 'troika' e orçamentos até 2014, numa perspectiva de estabilidade. Claro que o PS não quis assumir o ónus das medidas que iriam ser tomadas, nem quis assumir o ónus de negociar com a 'troika'. Porque aí iria demonstrar o enorme 'bluff' que é o seu Documento de Coimbra, e que o que podemos esperar de António José Seguro é que se transforme numa versão ainda menor do pequeno François Hollande, Presidente francês de quem António José Seguro é fã, e cuja popularidade e sucesso em França tem sido extremamente reduzido.

De qualquer forma, o ponto fundamental foi este: a crise não ficou resolvida, o Governo saiu fragilizado (embora, na minha opinião, e contra-corrente possivelmente, penso que o Primeiro Ministro tem conseguido gerir a crise o melhor possível) e agora não sabemos exactamente o que vai acontecer a seguir. Vamos ter de esperar pela próxima comunicação do Presidente da República, que devia ter sido hoje, mas que vai ter lugar amanhã.

Nessa intervenção, o Presidente da República devia aceitar, agora, a remodelação governamental proposta pelo Governo, com atraso inútil por si causado e por António José Seguro rematado. Existe maioria parlamentar, como se viu na moção de censura do PEV, e essa maioria parlamentar deve continuar a existir.

sábado, 13 de julho de 2013

Compromisso pós-troika

Não sendo a minha solução preferida, a solução colocada em cima da mesa pelo Presidente da República é a que temos agora. Infelizmente, no entanto, o tempo que temos para a colocar em prática é contrário a que o acordo final que resulte das negociações tenha grande interesse ou qualidade.

Portugal podia ter aproveitado a crise para discutir, de forma séria, os vários problemas com que se tem cronicamente defrontado. Podia ter aproveitado a crise para finalmente ter um debate alargado sobre o seu Estado, sobre o seu sistema político e, claro, sobre o seu modelo de desenvolvimento económico.

Dessa discussão séria poderia, de facto, surgir um verdadeiro compromisso que, mais do que de médio prazo, seria de longo prazo, definindo traves mestras para a reforma do Estado, para a sustentabilidade das contas públicas e para a competitividade da economia portuguesa no contexto europeu e global. Esse compromisso poderia, até, ter resultado em alterações constitucionais relevantes.

Não é isso a que se tem assistido. Temos visto partidos que assinaram o Memorando com a Troika a fugir do Memorando que assinaram. Temos visto constantes obstruções à reforma do Estado. Longe de termos visto um ímpeto reformista e um compromisso alargado de reforma, temos visto uma enorme dose de inércia, de defesa a todo o custo do 'status quo', por entre trocas de insultos e acusações.

Não é agora, à pressão, que se vai conseguir ultrapassar todo o tempo perdido e chegar a um acordo credível e com conteúdo útil e operacionalizável. Mesmo dentro dos próprios partidos da maioria, a resistência à mudança é patente. Temos assistido a um Governo forçado a tomar medidas impopulares a ser minado pela própria maioria parlamentar que o suporta - em particular, há que se dizer claramente, pela bancada do CDS-PP.

Não temos visto do PS mais do que isso também. Umas conversas sobre reduzir o número de deputados para 180, uma lista de compras de 10 medidas avulsas que não mostram nenhuma vontade de mudar, e uma enorme dose de retórica sobre crescimento económico. Nem as actuais agruras de François Hollande têm detido o PS de ter este tipo de discurso, nem o facto de termos passado dez anos a não crescer com essas políticas.

Na comunicação social, comentadores vários mostram o seu desprezo pela mudança. Os Josés Pachecos Pereiras e os Marcelos Rebelos de Sousa deste mundo, sem programa nem ideias para o país, bombardeiam-no com conversa fiada e análise profunda de intrigas e da baixa política. Os debates substantivos não existem, substituídos por conversa sobre diz-que-disse.

Eis que Cavaco Silva, Presidente da República, vem exigir um compromisso pós-troika. Até deu os títulos para as várias secções desse compromisso. Só que um compromisso desses, para ser credível e relevante, tem de incluir a reforma do Estado. Tem de incluir uma discussão séria sobre crescimento, que não a actual, baseada no Princípio da Ressurreição da Fada Sininho - toda a gente diz muitas vezes que quer crescimento económico até ele acontecer, da mesma forma que acreditar muito em fadas trouxe a fada Sininho de volta â vida.

Nada disso tivemos até hoje, incluindo da parte do próprio Presidente da República. Não é agora, à pressão, que vamos ter. E por isso, apesar de desejável, mesmo que surja, tenho as maiores reservas em relação ao tal compromisso exigido pelo Presidente.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Crise política

Vítor Gaspar demitiu-se. Deixou uma carta. Foi substituído por Maria Luís Albuquerque. Paulo Portas não gostou, porque queria uma mudança política qualquer, vaga, e, depois de deixar tomar posse um Secretário de Estado do CDS-PP na área das Finanças, demite-se, sem dar água vai a ninguém.

Cai o carmo e a trindade. Há quem tente culpar Vítor Gaspar pela crise, mas confesso que a minha opinião é simples: a crise abriu-se, a sério, com a saída de Paulo Portas. E Paulo Portas saiu de forma absurda, sem sequer avisar o próprio partido. Se não gostava da escolha do Primeiro Ministro a esse ponto, devia ter de imediato dito que se demitia quando soube o nome. E mais: ao demitir-se, devia ter sido claro que o CDS-PP saía da coligação.

Não foi essa a escolha do nosso agora Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiro, que preferiu demitir-se a título pessoal e de forma "irrevogável". O Primeiro Ministro não aceitou a demissão e colocou a bola de volta no campo do CDS-PP - e, confesso, gostei de o ver a fazê-lo. Entretanto, o CDS-PP, não estando interessado em ser considerado culpado por levar à queda do Governo, leva o seu líder a renegociar a Coligação com o PSD e o CDS-PP.

(O CDS-PP, note-se, tinha duas escolhas claras: manter-se no Governo sem o líder que se tinha demitido do mesmo ou sair do Governo com o seu líder. Curiosamente, ou talvez não, não escolhe nem uma nem a outra - com isso dizendo possivelmente mais sobre a sua condição actual de dependência de Paulo Portas do que desejaria.)

A Coligação lá chega a um novo acordo, que leva ao Presidente da República. O Presidente da República, entretanto, decidiu ouvir os partidos com assento parlamentar e os 'parceiros sociais'. E no fim ia falar ao país e anunciar uma solução. Sendo que as duas soluções que lhe propuseram foram: eleições antecipadas e dar posse à remodelação da Coligação.

A minha opinião sobre essas duas soluções é clara: havia uma maioria parlamentar disposta a suportar o Governo remodelado. Nestes termos, o Presidente deveria ter dado posse aos novos Ministros que lhe foram apresentados por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Sendo que, a meu ver, nessa remodelação se criou uma posição que devia ter existido desde sempre: Vice-Primeiro Ministro. E o CDS-PP foi colocado na posição de negociador com a troika e responsável por políticas económicas, impedindo-o claramente de estar com um pé dentro e com outro fora do Governo.

Essa solução tinha, a meu ver, condições para funcionar, dados os ónus que existiam sobre os partidos da Coligação. E podia até levar a Coligação a estender-se às eleições europeias. Além de que estava a ser aceite, também lá fora, como pelo menos relativamente credível em termos de sustentabilidade.

Não defendo eleições antecipadas. A democracia parlamentar não se faz apenas de eleições. Uma democracia parlamentar saudável não se faz de eleições antecipadas constantes, principalmente quando existe uma maioria disposta a suportar um Governo. Existindo essa maioria parlamentar, com novo acordo e maior responsabilização do CDS-PP, o Governo é viável, existem condições para continuar a aplicar o seu programa.

As eleições antecipadas não são "mais democráticas" do que uma solução que mantenha em funções um Governo com apoio parlamentar. O regular funcionamento das instituições não passa por eleições constantes. E eleições neste contexto teriam custos económicos e financeiros relevantes, bem como custos políticos relevantes, minando ainda mais a credibilidade das nossas instituições e da nossa economia, quer interna, quer externamente.

De qualquer forma, compreendo que haja quem pense que sejam necessárias eleições antecipadas. Há razões que entendo como razoáveis para defendê-las, embora não concorde com a solução. (Claro que também há aqueles que defendem eleições antecipadas quase desde o Governo tomar posse, cujas razões parecem prender-se principalmente com não concordarem com este Governo do que com quaiqsquer outras.)

Mas o Presidente da República não escolheu nem a solução de dar posse ao Governo remodelado, nem a solução das eleições antecipadas. Clamou por um "compromisso de salvação nacional" de médio prazo entre PS, PSD e CDS-PP, fácil de negociar tecnicamente (?!), com conteúdo programático que inclui temas como a sustentabilidade financeira do Estado, o emprego, entre outras grandes questões. Não deu prazo para as negociações terem lugar. Não tornou claro exactamente o que pretendia. Sugeriu que podia existir uma figura com grande credibilidade para as auxiliar (mas demitindo-se de o fazer ele próprio).

Havendo esse compromisso, teríamos eleições em 2014. Depois do PAEF. Como se o PAEF acabar fosse verdadeiramente um marco. Como se este Parlamento não tivesse mandato até 2015. Como se esse facto fosse irrelevante. Como se não fosse melhor negociar o pós-troika de forma razoável e com tempo. Como se não tivesse de ter chamados o CDS-PP, o PSD e o PS às suas responsabilidades há dois anos, e constantemente promovido o diálogo, em vez das suas habituais intervenções esfíngicas de qualidade duvidosa no debate político e económico em Portugal.

Subitamente, o Presidente da República, com duas soluções simples em cima da mesa, põe o país em suspenso. Exige negociações. Não dá prazo (!) para essas negociações. Não se sabe exactamente os termos do acordo que quer - mas se é tecnicamente simples, então imagina-se que o conteúdo será um conjunto de generalidades sobre os temas quentes do momento. Mantém um Governo que se quer remodelar em funções em o remodelar, mas também com a clara declaração do Presidente de que não é a solução que defende - da mesma forma que descredibilizou a solução da remodelação e das eleições antecipadas.

Nós devíamos ter começado a preparar o pós-troika há tempo. Da mesma forma que devíamos ter começado a preparar a reforma do Estado há anos. São temas complexos, que exigem ainda por cima compromissos alargados. Eis que temos o nosso Presidente a dizer que exige um "compromisso de médio prazo" negociado em cima do joelho e à pressa - porque apesar de não haver prazo, é evidente que estamos em contra-relógio. Principalmente porque depois do incêndio financeiro causado pela demissão de Paulo Portas, tínhamos acalmia advinda de já haver uma possível solução, que se encontrou rapidamente.

É muito giro ver o Presidente fazer jogos políticos de um ponto de vista teórico. Vê-lo encostar o PSD, o PS e o CDS-PP à parede a dizer "entendam-se". Só que qual o entendimento que pode sair, à pressão, daqui? Um entendimento credível e sustentável a prazo? Um entendimento que vá para além de um conjunto de banalidades irrelevantes? Tenho sérias dúvidas. Para ser credível, precisamos de um entendimento a sério sobre, por exemplo, a reforma do Estado. Vamos consegui-lo em cinco minutos?

Não faz sentido. A meu ver, o Presidente devia ter dado posse ao Governo remodelado. Tê-lo-ia criticado se tivesse escolhido eleições antecipadas. Mas, afinal, o que o Presidente escolheu foi lembrar-se de fazer coisas que já devia ter feito à anos, provavelmente até antes da existência de Memorando, e de dizer que a sua solução ideal também passa por eleições antecipadas - só que em 2014.

O Presidente deve garantir e preservar o regular funcionamento das instituições. E ao lançar a confusão, com um discurso que tem tido milhentas interpretações, o nosso Exmo. Presidente da República fez o oposto.

E vamos todos pagar por isso.

domingo, 9 de junho de 2013

Obama de asas queimadas

Talvez sejam os problemas de uma estrutura que permanece imóvel independentemente de quem ocupe o lugar, mas parece que a queda deste presidente pode vir a depender mais dos vícios herdados do seu predecessor que dos seus próprios erros. Segurança e Privacidade. Afinal a linha já fora traçada na areia.

a ver (fonte): 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Qual é a tua meu?

O discurso de João Almeida hoje no parlamento fez-me lembrar dos GNR.
"à boleia, pela rua, lá vou eu ao mercado comum, quando lá cheguei vi o boss, tinha cunhas, foi o que me valeu, perguntei-lhe, qual é a tua meu?"


Infelizmente berrar com os parceiros europeus, como sugerem outros, também não é solução.
Independente disso os GNR são os maiores.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Porque apoio os protestos na Turquia… e porque também o deverias fazer! Why I support the protests in Turkey… and why you should too!


(Also writen in –bad - English)

Escrevo do conforto de um Hostal na Colombia. Neste momento, aguardo que os dias passem até me reencontrar com o amor das minhas vidas. Sou acolhida por pessoas que aprendi a chamar de familia. Para muitos, a questao que podem pensar é: porque passas os últimos tempos a fazer tantos posts sobre o que se passa na Turquia?

Ao longo dos próximos parágrafos vou explicar porque o faço, e também porque acho que também o deverás fazer. A razao é muito simples: amizade. Se eu hoje estou aqui a viver um sonho… Se hoje descobri a minha paixao, e descobri o amor é em grande medida debido aos amigos turcos que tenho.

Passo a explicar: há pouco menos de dois anos eu era uma pessoa a iniciar uma aventura à volta do mundo. Cheio de receios e esperanças, aventurava-me pelos caminhos do mundo. Escolhi como ponto de arranque a Turquia, e mais específico, Istanbul. E em boa hora o fiz. Os turcos, como aprendi por experiência, sao dos povos mais acolhedores que conheci. Fui recebido por pessoas que passei a chamar de amigos próximos, como se fosse um membro da sua familia.

Eles foram os que retiram os meus medos e demonstraram que por onde passas encontras pessoas muitos especiais. De certa forma, foram eles que me prepararam para tudo  o que se seguiu na minha viagem.

Foi com um enorme choque, que eu tomei conhecimento do que se estava a passar na Turquia. De imediato quis ajudar, mas o máximo que tenho conseguido, a esta distancia, foi publicitar o que os media nao transmitiam.

Os meus amigos turcos têm nome, sao reais e muito importantes na minha vida. Eles, ou pessoas próximas a eles, estao a arriscar a sua vida contra a opressao e violencia do seu próprio estado. Num acto de extrema coragem que me enche de orgulho de os conhecer, e a humildade de que eles sao pessoas mesmo muito extraordinárias com quem eu tenho muito que aprender.

Por isso eu apoio os protestos. Porque sei que nao sao uns manifestantes “rúfias”. Sao pessoas como tu e eu, mas que se cansaram de viver num estado que os oprime. E se duvidas existissem, a carga policial nao deixa nenhuma. Hoje, eles combatem contra a opressao do Estado e a censura dos media. Causas que sempre apoiarei e que sao minhas independentemente de nacionalidades.

Mas esta nao é apenas uma causa dos turcos. É também nossa, por os laços de amizade e solidariedade que nos unem. E se hoje lutamos ao lado dos turcos, lutamos também por um mundo melhor na nossa sociedade. Porque a opressao, violência e censura nao é apenas monopólio do Estado Turco. Qualquer sociedade nao está imune a que isso aconteça. E se nao lutarmos, se nao demonstrarmos que nao toleramos isso, hoje serao os turcos, amanha seremos nós!

-----------------------------------------------------------------------------------------------

I write from the confort of an Hostal in Colombia. Right now I am counting the days to reunite with the love of my lives. And I am in a place welcomed by people I learn to call family. For many the question is: Why then, I spend so much time talking and posting about something so far away?

Through the rest of the text I will try to explain why I do it, and why I think you should too. My reason is quite simple: frendship! If today I am here, living a dream. If today I discovered my passion and love is, to a great extent, due to my turkish friends.

Less tan two years ago I was a normal guy (still am though) about to start a journey that would change my life completly. Full of hopes and fears, I started my path through this world. I decided to start my trip around the world in Turkey. More precisely in Istanbul. And thank God (whatever it is) that I did so. The turkish people, as I learnt through experience, are one of the most welcomening people I met. I was received by people, that became close friends, like I was a member of their own family.

They took all my fears away, and demonstrated that, no matter where you go, you will meet special people. In a way, they where the people that prepare me for everything that happened afterwards in my journey.

It was with great shock that I knew about what was happening in Turkey. Immediatly I wanted to help, but the maximum I can do, this far away, is to spread the word about what was happening and give full support to them.

My turkish friends have names, they are real and very important in my life. They, or close persons to them, are risking their own lives against  oppression and violence of their own state. In an act of extreme courage that fills me with pride to know them, and humbleness of the great people they are and from whom I still have a lot to learn.

That is why I support these protests. They are not petty criminals protesting. They are people like you and me. People who got tired of living with a government that oppresses them. And if there was any doubts that this was true, the police charges made it clear that they are right. Today they fight against oppression of the state and censoring of the media. Something that I will always support no matter what nacionality.

But this is not an issue only of the turkish people. It is also ours. Bounded by ties of friendship, it is a cause of every one of us. A if today we fight side by side with the turkish poeple, we fight also to improve our society. Oppression, violence and censorship is not a monopoly of the Turkish state. No society is imune to this.  If we do not fight now, demonstrating that we don’t tolerate these actions, today will be the turkish people suffering, but tomorrow will be us!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Manifestaçao


Vai existir uma manifestaçao de apoio aos protestos na Turquia e para pedir que o governo turco pare com a violência contra os seus cidadaos. Espero que todos encontrem um pouco do seu tempo para ir.

Para mais informaçoes favor seguir o link:

http://www.facebook.com/events/116815045155564/

sábado, 1 de junho de 2013

(r)EVOLUÇAO


Hoje, em dia de protestos, regresso à Europa. Primeiro à cidade que em que arranquei para a minha aventura: Istanbul. Desde o início da semana que existem protestos por lá. O que começou como um protesto contra a construçao de mais um centro comercial transformou-se, corajosamente num protesto contra o governo. A repressao é violenta, mas eles, num exemplo que me enche de orgulho, continuam. Ultrapassando o medo da prisao e da morte, num espirito de luta que espero que contamine o resto da Europa. 

Hoje vivemos numa era difícil. Nao só os Estados perdem o seu medo de utilizar a força bruta, mas também as empresas se dao ao luxo de censurar as lutas que existem. A CNN foi o melhor exemplo disto mesmo. Enquanto dava noticias dos protestos no seu canal internacional, as omitia no seu canal local da Turquia. Demonstrando que as acçoes anti-democráticas nao sao monopólio de países em vias de desenvolvimento, mas sao praticadas e originadas também no mundo ocidental, naquele que habitamos e pelo qual temos a responsabilidade de o manter livre e democrático.

Por isso a luta na Turquia nao é apenas dos Turcos, é também nossa. E nunca tivemos tantos motivos para sair e lutar. Cinco anos depois da crise arrancar, quase nenhum responsável foi chamado a assumir essa responsabilidade. O gap de riqueza tornou-se maior. A censura aumentou, as pessoas perderam emprego e muitas suicidaram-se pelas condiçoes desesperantes que viviam. Hoje, a democracia está cada vez menor, sem alternativas a uma politica que é miope e que nao muda nada de substancial. 

Cinco anos depois, nao basta um protesto. É preciso coragem, a mesma coragem que os turcos demonstram neste preciso momento. É preciso mudar radicalmente o que existe, revolucionar a sociedade e construir o nosso próprio futuro. Um que seja de inclusao, sonho e utopia. Que nos una naquilo que temos de comum e que nos faça ultrapassar esta crise e chegarmos a um destino melhor.

Que os protestos de hoje, sejam o primeiro dia de uma nova (r)EVOLUÇAO e que esta seja original. Que traga o espirito positivo para ela e nos leve a fazer melhor que no passado. E que seja inclusa de todos. Todos os generos e opçoes de vida e que nao se esqueça, como todos as outras que a antecederam, que a (r)EVOLUÇAO é feminina e que esta traga a novidade de terminar com esta discriminaçao contra as mulheres que existe e persiste há milhares de anos!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A dona Demagogia e o seu bébé

De repente, com esta história do Martim no programa Prós-e-Contras, no qual a dona Demagogia costuma ser convidada e também sentar-se na bancada a rir e bater palmas, a esquerda de Facebook virou direita.
De repente as leis naturais do mercado não são o Papão.

É caso para dizer que a dona Demagogia enquanto dava de mamar ao seu bébé, lhe fez uma carantonha e este sorriu satisfeito.

sábado, 18 de maio de 2013

A minha experiência de um ano na Startup Lisboa.



No final de 2011 a Beta-i foi uma das primeiras organizações a ser convidada para se instalar na incubadora de startups web e mobile da cidade de Lisboa, a Startup Lisboa, gerida pelo João Vasconcelos, e esta experiência de cerca de um ano foi muito interessante, porque passámos de um escritório na zona do Marquês de Pombal, o nosso "casulo" para um ambiente onde no mesmo prédio na Rua da Prata estão instaladas dezenas de startups, muitas das quais também passaram por algum dos programas de aceleração da Beta-i, como o Beta-start ou Startup Weekend. Sim, a Beta-i não é uma startup tradicional, é uma organização sem fins lucrativos que tem como objectivo promover o "eco-sistema" empreendedor na Lusofonia, e onde existam comunidades portuguesas mas, ainda assim partilha muitas das mesmas "dores" de crescimento de uma startup no sentido clássico.

Trabalhar num ambiente como o do Startup Lisboa não é como estar numa incubadora tradicional, é uma experiência fantástica. Como o espaço tem uma porta principal que dá acesso a todo o edifício, todos os dias nos cruzamos com os fundadores de outras equipas, nem que seja à porta à hora do almoço, e não raras vezes tomamos café só para trocar umas notas, perceber o que está a correr bem e mal. Temos também vários eventos a decorrer na Startup Lisboa numa base quase diária, desde workshops sobre Lean UX até eventos com empreendedores convidados nacionais e internacionais, que acabam também por agregar pessoas interessadas com vários perfis, empreendedores, futuros empreendedores, empregados frustrados com o seu dia-a-dia e até pessoas à procura de um novo começo.

A verdade é que estando todos juntos conseguimos manter a nossa individualidade mas acabamos por acompanhar as dores de crescimento uns dos outros. Há uma sensação de osmose constante, e um espírito de entre ajuda genuíno, partilham-se contactos de capitais de risco, técnicas de pitching, serviços, mentores e acho que essa é a melhor prova que este é um modelo vencedor e isso é extremamente positivo. Estamos a criar algo de novo, todos os dias testamos, todos os dias validamos e acreditamos que esta primeira experiência nos isola de um certo "desânimo que parece dominar o resto da sociedade  portuguesa".

A Startup Lisboa é a primeira borbulha de “acne” que nos diz que passámos da infância para a puberdade, e quase todos nos lembramos como o acne era uma coisa chata, mas um sinal inequívoco das mudanças biológicas que estão a ocorrer no nosso corpo. Por analogia, o ecosistema de empreendedorismo da cidade de Lisboa está a entrar na adolescência que é também uma fase de inquietações e de grandes desafios. Se queremos mudar de forma irreversível o panorama da cidade, vamos ter de continuar a remar todos contra os “velhos do Restelo” porque os tempos estão a mudar... e neste ponto em particular para melhor, com a abertura de novos espaços de trabalho em locais centrais da cidade, como atesta a recente abertura da Central Station mesmo ao lado do "Mercado da Ribeira."

André Marquet, Co-Fundador da Beta-i