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terça-feira, 30 de outubro de 2012

A Dinamarca é que sabe!

Leio aqui, que o Governo Dinamarquês não irá subsídiar a Vestas que é uma empresa de energia renovável que está em dificuldades. Resultado um mercado mais forte e menos impostos para os cidadãos.

Por vezes a melhor forma de ajudar as pessoas é não ajudar quem tomou as decisões erradas.

Nós por cá, cobramos impostos na factura da electricidade e apostamos em tecnologias de energias renováveis ainda não totalmente maduras. Eólicas por exemplo.

Isto não tem nada a ver com privatização ou estatismo, mas sim com liberalização ou não do mercado.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A personalização dos mercados

Num seu artigo no dia 11, o João Cardiga falou, entre outras coisas, sobre a personalização/antropomorfização dos mercados. Uma das primeiras afirmações do João é de que, na opinião dele, um grande motivo para o apelo das medidas populistas é a simplificação do funcionamento de um mercado, e que essa simplificação é aproveitada por certas forças políticas para transformar «os mercados» no mau da fita e com isso «justificar» as suas políticas.

Os mercados envolvem um conjunto muito alargado de pessoas a interagir umas com as outras. Envolvem uma vasta rede de relações que se estabelecem entre pessoas que tomam decisões que têm influência umas nas outras, em tempo real. Os «mercados» não são uma entidade tipo Estado, conforme pretendem alguns, no que são precisamente ajudados pela forma com personalizam os referidos mercados. São espaços em que existem trocas de bens e serviços.

Ao transformar os «mercados» numa entidade personalizada, com uma «voz» e «vontade» próprias, as forças políticas referidas acima podem usar a tão apetecível retórica do «nós contra eles», que tão bem tende a funcionar em momentos de crise. Neste caso, «nós contra os mercados». Os mercados que nos maltratam, que são puramente irracionais, que não querem saber «das pessoas» e que são dominados por poderes ocultos (ou não tão ocultos: agora o alvo habitual parece ser a Goldman Sachs).

Ao mesmo tempo que acusam outros de embarcarem na «política do medo», fomentam o medo dos «mercados». Culpam os «mercados» de todos os nossos males, incluindo aqueles que claramente resultaram de escolhas políticas. Afirmam a total desregulação dos mercados mesmo quando esta não existe. E acabam por atirar farpas e fomentar o descrédito da própria democracia e instituições democráticas ao essencialmente desresponsabilizar os cidadãos das escolhas que fizeram nas urnas e fora delas.

Essas forças políticas não são apenas de Esquerda. Também na Direita existe quem tenha por hábito diabolizar os «mercados». Escudam-se, à Esquerda e Direita, no manto de serem os únicos e verdadeiros representantes do «povo», da «pessoa comum», do «trabalhador», e seus defensores contra esse tenebroso e pouco definido papão que são «os mercados».

Concordo também com o João que a resposta não pode ser transformar os mercados nos «bons da fita». Também não me parece que tenha sido isso o que o Duarte fez (não estou a dizer que o João acusou o Duarte de o fazer, já agora). O problema é que lutar contra quem se limita a apresentar bodes espiatórios e promessas de ambrósia e néctar é complicado. Muito complicado. Porque se cairmos nesse jogo, será o outro lado a jogar em casa e quase que começamos a perder. E se não cairmos, a resposta vai ter de conseguir tornar simples algo de complexo sem que desvirtue aquilo que se defende.

De qualquer forma, é possível fazê-lo. E é preciso fazê-lo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Aproveitar o Mercado Único

«Conheça a cidade alemã que quer contratar portugueses.» É este o título de uma notícia a ler do Diário Económico sobre a forma como uma cidade alemã procura tornar-se um local atractivo para onde pessoas qualificadas queiram ir trabalhar. (Até porque poderá haver interesse em ir trabalhar para lá, dada a situação portuguesa!)

Entretanto, Pedro Pita Barros escreve, também no Diário Económico: «(...) As políticas de emprego em Portugal não podem ser apenas pensadas para os desempregados portugueses. É muito mais interessante pensar em que políticas de emprego permitem atrair trabalhadores, empresários e empresas, de toda a União Europeia. E se formos capazes de definir ambientes de trabalho e regras de funcionamento do mercado de trabalho português que sejam apelativas globalmente, então também serão atractivas para os portugueses.»

E com muita razão o escreve. Não pode ser apenas aquela cidade alemã a perceber que se insere num mercado único e a tentar aproveitar as potencialidades do mercado único. Cá em Portugal também o deveremos fazer. Isso passa muito por uma alteração cultural no sentido de arriscar não ser mal visto e em que se retirem barreiras aos empreendedores.

As potencialidades do mercado único estão lá para quem as queira aproveitar. É preciso defendê-las neste contexto de crise, promover o seu fortalecimento (na minha opinião, através de uma verdadeira federação europeia) e aproveitá-las. De forma a que, no futuro, comecemos a ouvir falar de cidades portuguesas a atraírem alemães (ou franceses, ou neerlandeses, ou ingleses, etc.).

domingo, 29 de janeiro de 2012

Confiança

A confiança é o motor de uma economia de mercado, de um Estado de Direito e de uma democracia saudável. A confiança é necessária para que existem trocas, para que as leis sejam respeitadas e para que o debate público seja frutuoso (ou tenha sequer lugar).

A falta de confiança tem, naturalmente, o efeito oposto. Gera medo. Gera o afastamento das pessoas. Enquanto a confiança gera uma comunidade mais coesa, mesmo que plural, o medo gera conflitos, que por sua vez geram mais medo. O frutuoso intercâmbio que nasce da confiança definha.

Tendo medo, procura-se algo que lhe ponha cobro. Um protector, alguém que prometa acabar com toda a incerteza. Alguém que explique as coisas de forma simples e apresente soluções aparentemente de senso comum para problemas que outros tratam de forma incompreensível (ver também aqui).

A erosão da confiança e o triunfo do medo são causa de estagnação, de declínio, de isolamento e terreno fértil para o surgimento de movimentos anti-democráticos autoritários. O medo torna a individualidade, assente na liberdade, algo de aparentemente trivial, e de fácil sacrifício em nome da segurança aparentemente conferida por um colectivo mais homogéneo.

Restaurar a confiança das pessoas é fundamental para garantir que todas as liberdades que conquistámos, que todas as garantias que conquistámos, sejam mantidas. É importante para que a economia funcione, mas também para que a democracia funcione. Porque a confiança é a base de uma comunidade livre.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Honduras aposta numa zona de livre mercado

O país mais pobre da América Central, as Honduras, vai apostar na criação de uma cidade comprometida com os principíos da livre iniciativa e mercado livre. Os cidadãos e empresas que para lá desejarem deslocar-se fruirão de ampla autonomia num ambiente económica e políticamente liberal; seguindo-se assim o modelo de cidade charter.

Para este Estado em grandes dificuldades devido à pobreza e ao desemprego esta iniciativa poderá significar o primeiro passo para uma singapura ou hong kong latino-americana!

http://www.libremercado.com/2011-09-04/honduras-pone-en-marcha-el-hong-kong-del-siglo-xxi-1276434250/

Mais detalhes no artigo acima (Espanhol)