Um jovem saudita foi condenado pelo que escrevia no seu blogue a mil chicotadas. O The Guardian traduziu alguns excertos. Worth a read.
"Deve haver um dia em que a sociedade, como os indivíduos, chegue à maioridade." - Alexandre Herculano
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
domingo, 30 de dezembro de 2012
A hermenêutica da histeria e o culto do vazio
O que é bom é dar a mais terrível interpretação possível a um conjunto de frases emitidas por alguém em público como forma de afirmar a inferioridade moral e intelectual dessa pessoa e a superioridade moral e intelectual do intérprete. O que é bom é ser mesquinho e lançar ataques passivo-agressivos a toda a gente que não venha a público com o discurso mais banal, trivial e pré-preparado de sempre - e mesmo aí, basta ver o discurso de Natal do PM para ver que nem isso pode ser suficiente.
O resultado é um discurso público vazio de conteúdo e pouco imaginativo, em que um dos temas em debate é a razão para o vazio e falta de imaginação do nosso debate público. Tritura-se quem pareça ter uma ideia da narrativa base que se tornou politicamente correcta e eleva-se à condição de santo ou novo profeta quem mais se aproximar daquilo que se quer ouvir.
A Plataforma para o Crescimento Sustentável, um think tank digno desse nome liderado por Jorge Moreira da Silva, lançou recentemente um relatório que pouca atenção mediática recebeu. C este relatório, temos a situação de um thibk tank independente mas liderado por um VP do PSD ter um programa económico e o principal partido da oposição não. Mas só se falou de uma medida desse relatório, o imposto sobre o carbono, e mesmo assim pela rama.
Não nos limitamos a tratar temas sérios de forma alarve. Também é hábito tratar de forma séria temas alarves, como a utilização do Facebook pelo PM e pelo Presidente da República. O conteúdo é distorcido e a importância da forma é exacerbada. O debate é dominado pela histeria e superioridade moral de florzinhas de estufa, da Esquerda à Direita, que elevam as coisas mais irrelevantes à condição do mais horrível e escabroso insulto.
Isabel Jonet foi transformada na encarnação do mal. Um parecer ético sobre tratamentos médicos tornou-se controverso porque foi discutido com base em comentários desinformados sobre comentários histéricos, e não sobre o parecer. As banalidades triviais, ou mesmo erros grosseiros, de figuras públicas recebem atenção acrítica - não é preciso gastar dinheiro em publicidade quando a comunicação social a faz de graça. Ser comentador perdeu todo o signficado quando gente como João Lemos Esteves recebe um blogue no Expresso.
A hermenêutica da histeria aliada ao culto do vazio envenam o nosso debate público e ajudam a condicionar a opinião pública. Mas isto combate-se dentro do contexto da liberdade de expressão. À expressão dos outros respondemos com a nossa. O debate de ideias faz-se disto mesmo. E é parte da força das democracias liberais.
O resultado é um discurso público vazio de conteúdo e pouco imaginativo, em que um dos temas em debate é a razão para o vazio e falta de imaginação do nosso debate público. Tritura-se quem pareça ter uma ideia da narrativa base que se tornou politicamente correcta e eleva-se à condição de santo ou novo profeta quem mais se aproximar daquilo que se quer ouvir.
A Plataforma para o Crescimento Sustentável, um think tank digno desse nome liderado por Jorge Moreira da Silva, lançou recentemente um relatório que pouca atenção mediática recebeu. C este relatório, temos a situação de um thibk tank independente mas liderado por um VP do PSD ter um programa económico e o principal partido da oposição não. Mas só se falou de uma medida desse relatório, o imposto sobre o carbono, e mesmo assim pela rama.
Não nos limitamos a tratar temas sérios de forma alarve. Também é hábito tratar de forma séria temas alarves, como a utilização do Facebook pelo PM e pelo Presidente da República. O conteúdo é distorcido e a importância da forma é exacerbada. O debate é dominado pela histeria e superioridade moral de florzinhas de estufa, da Esquerda à Direita, que elevam as coisas mais irrelevantes à condição do mais horrível e escabroso insulto.
Isabel Jonet foi transformada na encarnação do mal. Um parecer ético sobre tratamentos médicos tornou-se controverso porque foi discutido com base em comentários desinformados sobre comentários histéricos, e não sobre o parecer. As banalidades triviais, ou mesmo erros grosseiros, de figuras públicas recebem atenção acrítica - não é preciso gastar dinheiro em publicidade quando a comunicação social a faz de graça. Ser comentador perdeu todo o signficado quando gente como João Lemos Esteves recebe um blogue no Expresso.
A hermenêutica da histeria aliada ao culto do vazio envenam o nosso debate público e ajudam a condicionar a opinião pública. Mas isto combate-se dentro do contexto da liberdade de expressão. À expressão dos outros respondemos com a nossa. O debate de ideias faz-se disto mesmo. E é parte da força das democracias liberais.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Pela Liberdade !
Nos últimos tempos tenho estado afastado da blogosfera por várias razões.
Uma das mais relevantes é uma questão que tenho em tribunal em que fui enganado pelo meu advogado.
Se nos próximos tempos, vos parecer especialmente cínico, para com os homens das Leis aqui fica a explicação.
Outros, por vários razões, que não julgo, preferem o silêncio na blogosfera.
Falo por mim, não me vou embora, não quero nem posso. Em especial num tempo como o noso que está a tornar-se perigoso. Para quem como nós luta por várias Liberdades, contra os Totalitarismos. Sejam económicos, politicos, ideológicos aqui terão Combate!
Um Abraço, aos novos membros do cousasliberaes que sejam tão felizes por aqui como eu.
O blogue tira-nos tempo, mas também nos dá muito!
Uma das mais relevantes é uma questão que tenho em tribunal em que fui enganado pelo meu advogado.
Se nos próximos tempos, vos parecer especialmente cínico, para com os homens das Leis aqui fica a explicação.
Outros, por vários razões, que não julgo, preferem o silêncio na blogosfera.
Falo por mim, não me vou embora, não quero nem posso. Em especial num tempo como o noso que está a tornar-se perigoso. Para quem como nós luta por várias Liberdades, contra os Totalitarismos. Sejam económicos, politicos, ideológicos aqui terão Combate!
Um Abraço, aos novos membros do cousasliberaes que sejam tão felizes por aqui como eu.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Coisas Várias
1. Todas as pessoas que se manifestaram, e manifestam, pacificamente mostraram, e mostram, a democracia a funcionar, a liberdade de expressão e manifestação a funcionar. Todas aquelas que decidiram recorrer à violência mostraram a sua falta de respeito pelos outros manifestantes e pela própria democracia.
2. Clamar por uma remodelação governamental não é apresentar soluções, especialmente ao fim de pouco menos de um ano. Os Ministros demoram tempo a aprender a ser Ministros, como toda a gente demora tempo a aprender uma nova função. Mudar e começar de novo, mesmo com alguém com experiência prévia, deve acontecer quando há um caso extremo que leve à necessidade clara de haver uma demissão, ou ao fim de mais tempo do que um ano e pouco - principalmente em tempo de crise.
3. Clamar por um governo de salvação nacional sem Passos Coelho como Primeiro Ministro é ignorar que o Governo mantém uma maioria parlamentar, ignorar que essa maioria parlamentar vem de eleições, ignorar que o PS já disse que só participava num novo governo com eleições e ignorar que o novo Governo teria de conseguir garantir uma maioria parlamentar sabe-se lá como. Mais importante do que a mão cheia de nada que é esta proposta seriam verdadeiras propostas concretas de políticas públicas implementáveis para ajudar o país a sair da crise.
4. Manuela Ferreira Leite não fez nada enquanto Ministra das Finanças. Enquanto Secretária-Geral do PSD, dizia que estava tudo mal, mas depois apresentava o total vazio. Como aliás continua a fazer. De Manuela Ferreira Leite, como aliás do seu aliado José Pacheco Pereira, não se pode esperar que tenham e dêem ideias que vão para além de dizer mal e brincar aos Governos e remodelações (aqui, Pacheco Pereira é exímio). António Capucho, por seu turno, também não apresenta ideias. E isto pura e simplesmente não é suficiente. Nunca foi. Nunca será. E, em especial, é-o ainda menos hoje em dia.
5. António José Seguro continua sem programa. Agora que vamos ter mais um ano, ficou sem o único «soundbyte». A sua moção de censura terá valor simbólico - será um bom símbolo para o total vazio que é neste momento o PS sob a sua liderança. É por estas e por outras que cada vez mais gostaria de ver as moções de censura construtivas constitucionalizadas. Ou seja - quem quisesse apresentar uma moção de censura teria de apresentar obrigatoriamente uma alternativa de governo. Para deixarmos de brincar às moções de censura.
6. João Semedo continua, na senda de Louçã, a pedir ao PS que se divida, a pedir ao PCP que se refunde, e que todos se juntem ao BE, enquadrados nas políticas do BE, de acordo com o que prefere o BE. O BE continuará, portanto, sob uma liderança de João Semedo, na mesma: a arrogar-se a verdadeira consciência da Esquerda. (E já agora - um bem haja às pessoas do BE que estão a demonstrar que existe alguma democracia dentro daquele partido, depois da tentativa de Francisco Louçã apresentar a sua proposta como quase que proposta única...)
7. O Primeiro Ministero não devia ter anunciado a medida relativa à TSU desenquadrada da forma que o fez. A medida devia ter sido apresentada devidamente enquadrada, uns dias mais tarde.
8. Enquanto a Oposição em Portugal continuar a enjeitar apresentar alternativas, as manifestações continuarão a ser inorgânicas. Veremos o que sai do Congresso Democrático das Alternativas. Provavelmente muito pouco, economicamente falando, com que eu me identifique. Mas gostaria, sinceramente, que surgisse um verdadeiro programa, com políticas concretas, que fosse possível contrapor ao actual e resultar em projectos de lei e até orçamentos sombra. É que a partir daí seria possível haver um debate bem mais interessante do que tem havido agora. E a democracia vive dos debates públicos.
9. Voltando por momento às remodelações governamentais, este artigo trata a remodelação como se fosse um jogo. Atira uns nomes para o ar. "Começa falar-se" e tal. E subitamente, ficamos a falar de remodelações governamentais, em vez de políticas substantivas.
10. As guerrinhas entre PSD e CDS-PP foram ridículas, absurdas e, para mim, quem ficou pior na fotografia (ninguém ficou, obviamente, "bem" na fotografia) foi o CDS-PP e o seu líder, Paulo Portas, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Se aceitou a medida de descida da TSU, aceitou a medida de descida da TSU. No Governo, há responsabilidade colectiva. Paulo Portas é membro do Governo. Enquanto tal, não tem opinião pessoal e partidária pública. Se não gosta dessas amarras, tem de se demitir. Caso contrário, defende as posições do Governo. A escolha é dele. A escolha que fez, de querer ter as duas coisas, estar fora e dentro do Governo, não dá. E comigo, então, não funciona mesmo nada bem.
11. O Governo precisa de coordenação política. O Conselho de Coordenação Política (ou lá como se chama) criado já devia existir. Aliás, temos um Ministro dos Assuntos Parlamentares e temos um Secretário de Estado da Presidência, que deviam servir para isto já. Convém que façam o seu trabalho. E, agora, que o tal Conselho faça alguma coisa. Para ver se evitamos cenas tristes como as recentes. Já nos basta termos uma crise económica e financeira grave. Não precisamos de politiquices de comadres no Governo para piorar ainda mais as coisas.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
Esqueceram-se do 31 do Rosa Mendes?
Comentava eu ali* no 31daArmada, uma pérola de Rodrigo Moita de Deus e lembrei-me da polémica com o putativo censurado Pedro Rosa Mendes e a Raquel Freire.
Lembram-se?
Uma das razões porque deve existir um serviço público, é que possa existir liberdade de imprensa e informação. No público existe sempre a possibilidade de pressão política sobre as administrações, no privado é o "mercado" que disciplina, caso contrário os anunciantes "secam" a estação.
O nosso João Mendes e bem a meu ver, farta-se de clamar para que haja transparência na informação. E que as pessoas e as instituições se assumam à britânica, dando o contraditório.
Toda esta polémica e o sectarismo, com que alguma comunicação social e muita blogosfera têm tratado isto é chocante.
Rodrigo Moita de Deus quer a cabeça da actual administração da RTP, visto que esta discordou do "accionista"...
Cadê, o accionista?
É o Governo, é o Programa do PSD(que dizia outra coisa diferente daquilo que está a ser feito)é Miguel Relvas?
O 31 da Armada na pessoa do Rodrigo Moita de Deus, presta um mau serviço, a portar-se como um verdadeiro comissãrio político.
* Obrigado D, por me pedires para voltar a escrever aqui! Não há palavras para a camaradagem blogosférica.
Lembram-se?
Uma das razões porque deve existir um serviço público, é que possa existir liberdade de imprensa e informação. No público existe sempre a possibilidade de pressão política sobre as administrações, no privado é o "mercado" que disciplina, caso contrário os anunciantes "secam" a estação.
O nosso João Mendes e bem a meu ver, farta-se de clamar para que haja transparência na informação. E que as pessoas e as instituições se assumam à britânica, dando o contraditório.
Toda esta polémica e o sectarismo, com que alguma comunicação social e muita blogosfera têm tratado isto é chocante.
Rodrigo Moita de Deus quer a cabeça da actual administração da RTP, visto que esta discordou do "accionista"...
Cadê, o accionista?
É o Governo, é o Programa do PSD(que dizia outra coisa diferente daquilo que está a ser feito)é Miguel Relvas?
O 31 da Armada na pessoa do Rodrigo Moita de Deus, presta um mau serviço, a portar-se como um verdadeiro comissãrio político.
* Obrigado D, por me pedires para voltar a escrever aqui! Não há palavras para a camaradagem blogosférica.
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Mãe Morre Imolada porque a filha Bloga!
Quando vi esta noticia fiquei chocado.
Uma mãe em desespero no Vietname, imoçou-se porque a sua filha está presa, correndo o risco de apanhar 20 anos de cadeia, pelo que escreveu num blogue.
Parece-me que muitos de nós não damos o real valor à Liberdade que "ainda" temos.
Os meus pêsames a Danh Thi Kim Lieng.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Liberdade de Imprensa À Grega!
Li no JN aqui(sim é alguém que lê o JN ao Sul do Tejo é raro mas existimos.), uma notícia de um ataque a um jornalista em plena emissão.
Fui investigar, como decerto muitos foram, e qual foi o crime deste senhor?
Entrevistou o líder de uma partido de extrema-direita lá do Burgo a "Madrugada Dourada". Que pelo que vejo na wikipedia aqui , não são meninos-de-coro.
O Problema parece ser não, a entevista, mas o facto de que estes tipos têm hipótese de ganhar representação Parlamentar.
Logo quem é o culpado? O Jornalista...
Se calhar as agremiações políticas a que estes senhores do iogurte, pertencem deveriam pensar porque é as pessoas não se revêem nelas e querem soluções musculadas para resolver problemas.
Fui investigar, como decerto muitos foram, e qual foi o crime deste senhor?
Entrevistou o líder de uma partido de extrema-direita lá do Burgo a "Madrugada Dourada". Que pelo que vejo na wikipedia aqui , não são meninos-de-coro.
O Problema parece ser não, a entevista, mas o facto de que estes tipos têm hipótese de ganhar representação Parlamentar.
Logo quem é o culpado? O Jornalista...
Se calhar as agremiações políticas a que estes senhores do iogurte, pertencem deveriam pensar porque é as pessoas não se revêem nelas e querem soluções musculadas para resolver problemas.
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quinta-feira, 15 de março de 2012
A Liberdade do Otelo
Ontem em Santa Comba Dão, Otelo Saraiva de Carvalho disse várias coisas.
Uma delas e a mais polémica na minha opinião foi, o defender um Golpe de Estado, que retome a soberania devido à intervenção da Troika.
Surgem-me várias questões:´
1.ª Será que se fosse outra pessoa ou de outra àrea política, não teria um processo em cima. Parece-me que num Estado de Direito apelar à insurreição armada, mesmo no âmbito da liberdade de expressão é um pouco demais.
2.ª O perdão de pena que recebeu, também pode ser posto em causa. Uma vez que este senhor foi dirigente de uma organização que matou pessoas após o 25 de Abril.
3.º Como contribuinte revolta-me este senhor receber uma pensão paga com os meus impostos.
Se este senhor é um defensor da Liberdade eu vou ali e já venho.
Uma delas e a mais polémica na minha opinião foi, o defender um Golpe de Estado, que retome a soberania devido à intervenção da Troika.
Surgem-me várias questões:´
1.ª Será que se fosse outra pessoa ou de outra àrea política, não teria um processo em cima. Parece-me que num Estado de Direito apelar à insurreição armada, mesmo no âmbito da liberdade de expressão é um pouco demais.
2.ª O perdão de pena que recebeu, também pode ser posto em causa. Uma vez que este senhor foi dirigente de uma organização que matou pessoas após o 25 de Abril.
3.º Como contribuinte revolta-me este senhor receber uma pensão paga com os meus impostos.
Se este senhor é um defensor da Liberdade eu vou ali e já venho.
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sábado, 15 de outubro de 2011
Não há debate político sério em Portugal
Não há debate político em Portugal. Há quem apoie o programa da Troika, apoie que o Governo vá mais longe, e defenda essas medidas, e depois há o PS de António José Seguro a falar em «slogans», o BE e o PCP a confundirem-se um com o outro, e uma miríade de vozes à esquerda do BE e do PCP a dizer que são a favor de trivialidades.
Mas não há debate político em Portugal. Há acusações sobre as motivações dos outros, há descaracterizações das posições dos outros, há uma completa incapacidade para ir além de demagogia e populismo descarados. E neste momento, na minha opinião, se do BE e do PCP não se podia esperar muito (leia-se: não se podia esperar nada), do PS devíamos poder esperar mais.
A verdade é que António José Seguro tem andado de acusação pífia em acusação pífia, e agora anda a demarcar-se da austeridade, fugindo das responsabilidades que o PS tem na situação actual do país. O seu discurso é consistentemente desprovido de interesse. Fala em chavões, ataca o Ministro da Economia, por lhe parecer o alvo mais fácil, e exige crescimento económico, como se o Governo criasse crescimento económico sustentável carregando num botão.
Bem sei que há quem acredite que o dinheiro cresce nas árvores, que continue a encarar as empresas como zonas de guerra entre «patrões» e «trabalhadores», que a situação financeira dos Estados é parecida com a situação que existia no tempo do Keynes (dica: não é nada parecida), que as obras públicas trazem desenvolvimento simplesmente por existirem, e que tudo o que se passa em Portugal é resultado de uma terrível crise que envolve decisões erradas de toda a gente menos da população portuguesa.
Ora bem, numa democracia representativa, não há como a população fugir às suas responsabilidades. Os votos das pessoas ajudaram a eleger maiorias parlamentares que aumentaram a dívida e criaram a situação insustentável na qual acabámos. A sociedade civil portuguesa mantém-se incipiente, pouco profissionalizada, ou muito dependente do Estado. As nossas empresas continuam a precisar de maior «know-how» a todos os níveis, não apenas para os colaboradores.
Enquanto continuarmos todos à espera que o Estado resolva todos os problemas, mormente com subsídios, não chegamos lá. Quando nos começarmos a organizar, mesmo a nível local, para resolver problemas, aí as coisas começarão a mudar. Aí teremos um sinal de que há uma alteração cultural, uma mudança de mentalidades na sociedade portuguesa no sentido da resolução de problemas, e não da exigência de que os nossos problemas devam ser resolvidos por outros.
Parte dessa mudança de mentalidade poderia vir de haver um debate público sério sobre os problemas do país, sobre a forma como cada um de nós individualmente, ou em grupo, pode ser parte da resolução dos nossos problemas actuais, independentemente do Estado. Que podemos fazer mais do que exigir subsídios estatais, podemos arregaçar as mangas e tentar, por nós próprios, e com outros que concordem connosco, resolver problemas.
Mas para isso, seria necessário haver debate político sério em Portugal. E não há.
Mas não há debate político em Portugal. Há acusações sobre as motivações dos outros, há descaracterizações das posições dos outros, há uma completa incapacidade para ir além de demagogia e populismo descarados. E neste momento, na minha opinião, se do BE e do PCP não se podia esperar muito (leia-se: não se podia esperar nada), do PS devíamos poder esperar mais.
A verdade é que António José Seguro tem andado de acusação pífia em acusação pífia, e agora anda a demarcar-se da austeridade, fugindo das responsabilidades que o PS tem na situação actual do país. O seu discurso é consistentemente desprovido de interesse. Fala em chavões, ataca o Ministro da Economia, por lhe parecer o alvo mais fácil, e exige crescimento económico, como se o Governo criasse crescimento económico sustentável carregando num botão.
Bem sei que há quem acredite que o dinheiro cresce nas árvores, que continue a encarar as empresas como zonas de guerra entre «patrões» e «trabalhadores», que a situação financeira dos Estados é parecida com a situação que existia no tempo do Keynes (dica: não é nada parecida), que as obras públicas trazem desenvolvimento simplesmente por existirem, e que tudo o que se passa em Portugal é resultado de uma terrível crise que envolve decisões erradas de toda a gente menos da população portuguesa.
Ora bem, numa democracia representativa, não há como a população fugir às suas responsabilidades. Os votos das pessoas ajudaram a eleger maiorias parlamentares que aumentaram a dívida e criaram a situação insustentável na qual acabámos. A sociedade civil portuguesa mantém-se incipiente, pouco profissionalizada, ou muito dependente do Estado. As nossas empresas continuam a precisar de maior «know-how» a todos os níveis, não apenas para os colaboradores.
Enquanto continuarmos todos à espera que o Estado resolva todos os problemas, mormente com subsídios, não chegamos lá. Quando nos começarmos a organizar, mesmo a nível local, para resolver problemas, aí as coisas começarão a mudar. Aí teremos um sinal de que há uma alteração cultural, uma mudança de mentalidades na sociedade portuguesa no sentido da resolução de problemas, e não da exigência de que os nossos problemas devam ser resolvidos por outros.
Parte dessa mudança de mentalidade poderia vir de haver um debate público sério sobre os problemas do país, sobre a forma como cada um de nós individualmente, ou em grupo, pode ser parte da resolução dos nossos problemas actuais, independentemente do Estado. Que podemos fazer mais do que exigir subsídios estatais, podemos arregaçar as mangas e tentar, por nós próprios, e com outros que concordem connosco, resolver problemas.
Mas para isso, seria necessário haver debate político sério em Portugal. E não há.
domingo, 25 de setembro de 2011
Crise de valores?
A sociedade está sempre em declínio. A moral está sempre em decadência. As novas gerações nunca sabem apreciar o que veio antes, querem sempre mudar o que está bem e não sabem ver o que está mal. A mudança é sempre para pior, as tradições nunca são o que já foram e o futuro nunca é risonho por causa da terrível crise valores que vivemos mas que não vivíamos antes.
Ao mesmo tempo, a sociedade está sempre em ascendente. A moral está sempre a mudar para melhor. As novas gerações revolucionam o mundo com cada nova descoberta e moda, encontram soluções para problemas antigos e fazem críticas penetrantes ao «status quo». A mudança é para melhor, ainda bem que as tradições já não são o que eram e o futuro é risonho por causa de todas as mudanças.
Pessoalmente, vejo uma sociedade aberta como estando em crise de valores permanente. É uma consequência dela ser aberta, de haver liberdade de pensamento, de expressão e de associação. Essa crise de valores permanente é o resultado de haver um confronto sistemático e sistémico entre formas de pensar radicalmente díspares dentro da mesma sociedade e é um dos motores internos da evolução dessa mesma sociedade.
Não há um resultado final. A sociedade não está, em absoluto, quer em declínio, quer em ascendente moral. Está, sim, em permanente evolução. Ideias e valores tornam-se mais fortes ou mais fracos à medida que o tempo passa. Aqueles cujas ideias e valores estejam na mó de baixo, numa sociedade aberta e livre, têm a oportunidade de continuar a lutar por elas e, possivelmente, «conquistar» a geração seguinte.
As «crises de valores» não vão parar numa sociedade verdadeiramente livre. A geração, ou a geração a seguir a essa, vai pôr em causa o que aprendeu e vai ser acusada de destruir tradições importantes. A geração mais antiga vai ser acusada de ser conservadora e de querer manter tradições antiquadas e desnecessárias.
A grande questão é se a crise de valores permanente vivida numa sociedade livre não a leva a auto-destruir-se. Se a liberdade e abertura da sociedade não serão usadas para a sua própria destruição.
Há quem queira proteger a sociedade aberta e livre através da censura e da imposição das suas regras morais aos outros através do Estado. Há quem diga que o Estado, por definição, apenas serve para isso, e que a resposta correcta seria simplesmente aboli-lo. Finalmente, há quem defenda o Estado de Direito, que penalize agressões à liberdade de outrem, mas não o pensamento.
Esta última é a minha posição. Penso que deve existir Estado, que deve garantir liberdade de pensamento, de expressão e de associação. Sou contra a censura. E penso que deve existir um Estado de Direito, que ajude a resolver pacificamente litígios entre membros da sociedade e que puna acções consideradas criminosas.
Não cabe ao Estado impor a moralidade de alguns a toda a sociedade. E quem queira acabar com a crise de valores permanente em que vivemos, quer também, na minha opinião, acabar com a sociedade livre e aberta que tantos séculos levou a evoluir.
Ao mesmo tempo, a sociedade está sempre em ascendente. A moral está sempre a mudar para melhor. As novas gerações revolucionam o mundo com cada nova descoberta e moda, encontram soluções para problemas antigos e fazem críticas penetrantes ao «status quo». A mudança é para melhor, ainda bem que as tradições já não são o que eram e o futuro é risonho por causa de todas as mudanças.
Pessoalmente, vejo uma sociedade aberta como estando em crise de valores permanente. É uma consequência dela ser aberta, de haver liberdade de pensamento, de expressão e de associação. Essa crise de valores permanente é o resultado de haver um confronto sistemático e sistémico entre formas de pensar radicalmente díspares dentro da mesma sociedade e é um dos motores internos da evolução dessa mesma sociedade.
Não há um resultado final. A sociedade não está, em absoluto, quer em declínio, quer em ascendente moral. Está, sim, em permanente evolução. Ideias e valores tornam-se mais fortes ou mais fracos à medida que o tempo passa. Aqueles cujas ideias e valores estejam na mó de baixo, numa sociedade aberta e livre, têm a oportunidade de continuar a lutar por elas e, possivelmente, «conquistar» a geração seguinte.
As «crises de valores» não vão parar numa sociedade verdadeiramente livre. A geração, ou a geração a seguir a essa, vai pôr em causa o que aprendeu e vai ser acusada de destruir tradições importantes. A geração mais antiga vai ser acusada de ser conservadora e de querer manter tradições antiquadas e desnecessárias.
A grande questão é se a crise de valores permanente vivida numa sociedade livre não a leva a auto-destruir-se. Se a liberdade e abertura da sociedade não serão usadas para a sua própria destruição.
Há quem queira proteger a sociedade aberta e livre através da censura e da imposição das suas regras morais aos outros através do Estado. Há quem diga que o Estado, por definição, apenas serve para isso, e que a resposta correcta seria simplesmente aboli-lo. Finalmente, há quem defenda o Estado de Direito, que penalize agressões à liberdade de outrem, mas não o pensamento.
Esta última é a minha posição. Penso que deve existir Estado, que deve garantir liberdade de pensamento, de expressão e de associação. Sou contra a censura. E penso que deve existir um Estado de Direito, que ajude a resolver pacificamente litígios entre membros da sociedade e que puna acções consideradas criminosas.
Não cabe ao Estado impor a moralidade de alguns a toda a sociedade. E quem queira acabar com a crise de valores permanente em que vivemos, quer também, na minha opinião, acabar com a sociedade livre e aberta que tantos séculos levou a evoluir.
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